A ação da EOG Resources fechou em 153,72 dólares, recorde absoluto na sua história, e o detalhe delicioso é que isso aconteceu no mesmo ano em que a imprensa global repete, entre um bocejo e outro, que o petróleo está com os dias contados. Quer dizer, os dias contados de quem, exatamente? Porque quem paga 153 dólares por um pedaço de papel que representa uma empresa de exploração de hidrocarbonetos claramente não recebeu o memorando da transição energética. E o mercado, esse ente que os planejadores desprezam quando os contraria e invocam quando os elogia, está dizendo em alto e bom som que a demanda por combustíveis fósseis não vai a lugar nenhum na velocidade que os panfletos prometeram.
Olha, é preciso admirar a coreografia. De um lado, governos ocidentais gastam trilhões em subsídios para painéis solares fabricados na China, carros elétricos que ninguém quer comprar sem incentivo fiscal, e turbinas eólicas que enferrujam no meio do deserto texano. De outro, uma empresa que faz o trabalho sujo, aquele mesmo que permite que o burocrata do clima chegue ao aeroporto de carro e voe para Davos, dispara na bolsa porque investidor sério não confunde propaganda com realidade. O capital tem uma virtude que a militância inveja, ele não pode se dar ao luxo de mentir para si mesmo por muito tempo. Quando mente, quebra. Quando o Estado mente, imprime.
Me diz uma coisa, quem financia mesmo essa festa toda da descarbonização? A resposta está na conta de luz do sujeito que acorda às cinco da manhã para pegar dois ônibus. Está no imposto embutido no litro da gasolina, que serve para bancar subsídio de Tesla vendido para executivo do Leblon. Está na inflação persistente que corrói o salário de quem produz, para financiar o clientelismo verde de quem legisla. E enquanto isso, do outro lado do balcão, o acionista da EOG capitaliza duas vezes, uma pelo produto que vende e outra pelo desespero que o discurso oficial vai gerar quando o inverno chegar e faltar aquecimento no norte europeu.
O que se vê é o preço da ação subindo, a manchete elogiando o desempenho trimestral, o CEO fazendo cara de modéstia na entrevista. O que não se vê é a contradição sistêmica que sustenta essa alta, um mundo que exige energia barata e abundante em quantidades crescentes, comandado por elites que exigem energia cara e escassa em nome de metas que elas mesmas não cumprem. Essa dissonância não é um bug do sistema, é o combustível do sistema. Cada declaração pomposa contra o petróleo aumenta o prêmio de risco da produção de petróleo, restringe oferta futura, e enriquece quem já está dentro. É um cartel involuntário patrocinado por quem jura estar combatendo cartéis.
E aqui vale a lição que a plateia sofisticada finge não entender. Preço é informação, não opinião. Preço não é machista, misógino, colonialista ou insensível às gerações futuras. Preço é o resumo brutal e honesto do que milhões de pessoas realmente querem, e não do que dizem querer quando o pesquisador do IBGE bate à porta. Quando uma ação de petróleo bate máxima histórica em pleno 2026, o recado é claro para quem tem ouvido para ouvir, a realidade material do mundo continua rodando a combustão, e nenhum decreto assinado com caneta ecológica vai mudar isso enquanto a alternativa custar três vezes mais e funcionar metade.
A moral da história é velha e sempre nova. Toda vez que alguém tenta engenheirar a economia contra a vontade revelada dos agentes econômicos, o resultado é o mesmo, o produto oficialmente demonizado fica caríssimo e enche o bolso dos poucos que ousaram apostar contra a moda. Quem investiu na EOG apostou que o discurso é uma coisa e a física é outra. Ganhou. E vai continuar ganhando enquanto o Ocidente insistir em confundir sermão com política pública.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.