Seis dólares e quatro centavos. É o que vale hoje uma ação da Flowers Foods, dona das marcas Wonder Bread, Nature's Own e Dave's Killer Bread, gigante americana do pão embalado que outrora foi queridinha do índice S&P. A mínima de 52 semanas não é acidente de percurso nem "correção técnica" como gosta de dizer o analista de terno que aparece na CNBC. É o veredicto brutal de milhões de consumidores que, apertados pela inflação acumulada, redescobriram que existe padaria na esquina, farinha no supermercado e forno em casa.
Olha, a história é sempre a mesma e ninguém aprende. Durante anos de juro zero e helicóptero monetário jogando dólar sobre a economia americana, empresas como a Flowers Foods viveram um sonho: consumidor endividado no cartão comprando pão de forma industrial a preço premium, margens gordas, dividendos generosos, ação subindo como foguete. O CEO virava celebridade, o conselho premiava executivos com bônus estratosféricos, e o pequeno investidor entrava na festa achando que aquilo era normal. Não era. Era boom artificial financiado por dinheiro que não existia, alimentando consumo que não se sustentaria.
Quer dizer, o Federal Reserve subiu os juros, o crédito rotativo virou tortura financeira para o consumidor médio, e de repente aquele pacote de dez pães a sete dólares parece extorsão quando dá pra fazer meia dúzia em casa por menos de um. O que se vê é a ação despencando. O que não se vê são as milhares de decisões silenciosas de mães americanas cortando o supérfluo, voltando ao básico, redescobrindo que a padaria do bairro faz pão melhor e mais barato. O mercado, esse organismo vivo que os planejadores insistem em domar, está simplesmente fazendo o que sempre faz: corrigir o que a intervenção monetária distorceu.
E siga o dinheiro, porque é aí que fica interessante. Enquanto a Flowers sofre, executivos que se encheram de stock options nos anos de bonança já saíram pela porta dos fundos com bolsos cheios. Quem paga a conta? O fundo de pensão de professor aposentado que carregava a ação achando que era investimento seguro. O aposentado que confiou no dividendo. O trabalhador que via ali estabilidade. Toda vez que o banco central imprime dinheiro para "estimular a economia", ele está transferindo riqueza dos poupadores prudentes para os especuladores de plantão. É roubo legalizado com nome técnico de política monetária expansionista.
A lição vale para o Brasil também, e vale dobrada. Nossa Selic dança conforme o humor do ministro da Fazenda, nossos bancos públicos subsidiam setores escolhidos por afinidade política, nossas gigantes do varejo alimentício vivem na dependência de crédito farto que a próxima crise vai secar. Quando o consumidor brasileiro apertar de vez, e ele já está apertando, veremos aqui o mesmo filme: multinacional queridinha da bolsa despencando, mídia especializada chamando de "cenário desafiador", e ninguém apontando o culpado real, que é o Estado inflando bolha atrás de bolha até que a última estoure.
O pão embalado a US$ 6,04 não é tragédia empresarial. É o mercado gritando uma verdade que os keynesianos de plantão jamais admitirão: valor não se decreta, preço não se sustenta na marra, e consumidor cansado sempre encontra alternativa. A mão invisível está ajustando a conta que a mão visível do governo empurrou goela abaixo durante uma década.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.