A IDT Corporation, aquela empresa de telecomunicações e serviços financeiros que a maioria dos analistas brasileiros nunca ouviu falar, acaba de tocar sua máxima de 52 semanas em US$ 70,91. E aqui está o ponto que ninguém no Valor Econômico vai destacar: a companhia opera em nichos que o Estado americano historicamente tenta regular até a morte, remessas internacionais, telefonia pré-paga, serviços para imigrantes, e mesmo assim entrega retorno consistente ao acionista. Quer dizer, o mercado premia quem resolve problema real de gente real, não quem faz lobby em Brasília ou em Washington.
Olha, o interessante da IDT é justamente o segmento onde ela cresce. Remessa de dinheiro para famílias no exterior. Um mexicano em Nova Jersey mandando cem dólares para a mãe em Oaxaca. Um filipino em Chicago sustentando o irmão em Manila. Isso é o mercado fazendo aquilo que nenhum programa social, nenhum banco central, nenhuma agência multilateral jamais conseguiu, mover capital privado voluntariamente, de quem tem para quem precisa, sem intermediário armado cobrando pedágio moral pelo caminho. E o preço da ação sobe porque a demanda por essa ponte não é ideológica, é humana.
Me diz uma coisa, quantas vezes você viu autoridade monetária celebrando esse tipo de empresa? Nunca. Porque a existência da IDT é uma acusação silenciosa contra o sistema bancário tradicional, que cobra taxas absurdas para transferência internacional exatamente porque foi protegido durante décadas por regulação desenhada por quem lucra com a fricção. Cada dólar que a IDT movimenta com margem enxuta é um dólar que não passou pelo pedágio do compadrio bancário. O preço na bolsa não está subindo por acaso, está subindo porque o capital reconhece quem furou o cerco.
Vale seguir o dinheiro. A empresa não vive de contrato público, não depende de BNDES equivalente, não precisa de renúncia fiscal para existir. O crescimento vem de operação, não de canetada. Compare com a coleção de campeões nacionais que nossos tecnocratas adoram fabricar, aquelas empresas que só sobrevivem porque o contribuinte é obrigado a sustentar via subsídio, empréstimo subsidiado ou reserva de mercado. A IDT valorizou porque entrega serviço; muita empresa cotada em bolsa por aqui só existe porque o Tesouro entrega dinheiro.
Há uma lição amarga nesse gráfico para quem tem olhos de ver. Quanto mais o governo americano se atrapalha com inflação persistente, dólar cambaleante e política monetária esquizofrênica, mais valiosa fica qualquer empresa que ofereça alternativa prática ao sistema financeiro oficial. A máxima da IDT é sintoma, não causa. É o mercado precificando desconfiança institucional. É gente comum, sem pedir licença a nenhum burocrata, escolhendo o trilho paralelo. E enquanto os planejadores centrais discutem em painéis climatizados como salvar a economia, a economia real segue premiando quem simplesmente serve o cliente.
Que ninguém se engane com o entusiasmo das corretoras que vão descobrir a IDT agora que ela bateu máxima. O movimento importante já aconteceu, e aconteceu longe dos holofotes, na paciência silenciosa de quem entendeu que valor não se decreta, se constrói. O resto é ruído. Quando uma ação sobe assim, sem pacote de estímulo, sem tapinha nas costas da imprensa oficial, sem selo ESG na lapela, é o capitalismo funcionando exatamente como deveria funcionar sempre e em toda parte, recompensando quem produz e ignorando quem discursa.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.