Oscar Health, aquela seguradora fundada por gente do Vale do Silício que prometia "revolucionar" o mercado de saúde americano com aplicativo bonitinho e algoritmo, viu seus papéis atingirem US$ 34,09, a maior cotação em cinquenta e duas semanas. Analista de banco escreve relatório eufórico, gestor de fundo levanta a taça, imprensa de negócios celebra o "case de sucesso". E o cidadão pergunta, se tiver coragem: por que uma empresa que passou anos queimando caixa de repente virou máquina de imprimir lucro?
A resposta está onde ninguém quer olhar, no dinheiro que sai do contribuinte americano e entra na conta da Oscar via créditos fiscais expandidos do Affordable Care Act. Quando o governo decide que vai bancar prêmios de plano de saúde para milhões de pessoas, o que ele faz na prática é transferir risco privado para o Tesouro e garantir margem para quem opera a apólice. A seguradora não ficou mais eficiente, não descobriu cura para o câncer, não inventou a roda; ela apenas se posicionou no cano onde o dinheiro público jorra. É o velho arranjo, capitalismo para os ganhos, socialismo para as perdas, e o pagador de impostos assinando o cheque no fim do mês.
Repare no truque semântico. Chamam de "acesso à saúde", chamam de "cobertura universal", chamam de "justiça social", e o resultado prático é que uma empresa listada em bolsa, com CEO recebendo milhões em stock options, cobra do governo pelo serviço que promete entregar ao pobre. O pobre continua com franquia altíssima, rede restrita, negativa de procedimento; o acionista, esse sim, teve acesso pleno, acesso ao subsídio, acesso ao ganho de capital de cinquenta e dois por cento em doze meses. A "saúde do povo" virou tese de investimento, e ninguém acha estranho.
O que se vê é a manchete bonita, ação em máxima, empresa "sustentável", modelo "escalável". O que não se vê é o custo fiscal embutido, a distorção de preços que o subsídio produz no mercado inteiro, o pequeno provedor de saúde que não consegue competir com quem tem contrato garantido pela União, o prêmio que sobe todo ano porque a demanda foi artificialmente inflada por dinheiro que não é de ninguém, e as próximas gerações que herdarão a dívida usada para financiar o rali da bolsa de hoje. A janela quebrada dessa vez veio embrulhada em jaleco branco.
Quando o Estado se mete a "organizar" um setor, o que ele produz não é eficiência, é captura. Nasce uma casta de intermediários especializados em decifrar o manual do subsídio, um exército de lobistas em Washington ajustando parágrafos da regulamentação, uma indústria inteira cujo produto final não é saúde, é conformidade regulatória. A Oscar Health é sintoma, não causa. O sistema foi desenhado para produzir exatamente esse resultado, e agora que produz, fingem surpresa.
O rali da ação vai continuar enquanto o subsídio continuar. Retire o cano do dinheiro público e o "case disruptivo" desaba em uma semana, revelando o que sempre foi: uma seguradora medíocre vendendo produto medíocre a preço inflado, sustentada por uma canetada em Washington. O mercado livre até se defenderia; o problema é que faz décadas ninguém sabe mais o que é mercado livre em saúde americana. Aplauda a máxima histórica se quiser, mas saiba que quem está pagando por essa festa não foi convidado para o brinde.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.