A ação da Par Pacific cravou US$ 87,07 e o noticiário trata como se fosse mérito de gestão brilhante, quando na verdade é o retrato mais fiel do que acontece quando o Estado passa uma década estrangulando um setor e depois se surpreende com o preço. Refinar petróleo nos Estados Unidos virou negócio raro não porque a demanda caiu, mas porque construir refinaria nova nas últimas quatro décadas virou missão suicida no meio de licenças ambientais, exigências de descarbonização e a promessa oficial de que gasolina é coisa do passado. Quem sobrou no jogo, colhe. A Par Pacific não está subindo por virtude, está subindo porque os concorrentes foram exterminados no cartório.
Olha, a lógica é elementar e ninguém quer enxergar. Você proíbe capacidade nova, subsidia carro elétrico com dinheiro do contribuinte, aperta o crédito de qualquer projeto de combustível fóssil chamando de investimento sujo, e depois finge espanto quando a margem de refino explode. O ativo escasso vale ouro justamente porque o planejador central decidiu que ele deveria desaparecer. Só que a demanda por diesel, gasolina e combustível de aviação não some por decreto, ela continua ali, real, todo dia, movendo caminhão, avião e trator. Resultado: quem tem refinaria funcionando vira monopolista de fato, protegido pela mão pesada que jurava combater monopólio.
Siga o dinheiro e o teatro fica ainda mais evidente. Cada dólar que a Par Pacific captura em margem excepcional é dinheiro que sai do bolso do motorista americano na bomba, do consumidor no supermercado via frete encarecido, do passageiro da aeronave via passagem mais cara. A conta da política energética verde não some, ela apenas troca de destinatário. Sai do erário direto e aparece indiretamente, embutida no preço de tudo que se move. O acionista da refinaria agradece, o ativista climático posa para foto, e o trabalhador comum paga a diferença sem entender direito por que o troco da vida diária virou tão apertado.
Quer dizer, é aquela história antiga de que a política pública nunca é gratuita, alguém sempre paga, e o pagador quase nunca é quem votou a política. Ao restringir a oferta em nome do futuro do planeta, o governo criou renda de escassez privada para as poucas empresas que aguentaram o cerco. É o capitalismo de compadrio na sua forma mais elegante, aquela em que a empresa nem precisa lobby explícito, basta ser sobrevivente de uma guerra regulatória que dizimou os concorrentes. A concorrência foi eliminada por decreto, não por incompetência.
Me diz uma coisa, se refinar petróleo é tão nocivo que precisa ser desincentivado até a morte, por que o governo americano ainda liga a máquina toda vez que o preço do combustível ameaça a popularidade do presidente, liberando reservas estratégicas e implorando aos árabes que produzam mais? A resposta é que ninguém acredita de verdade na transição energética como pauta técnica, acreditam nela como pauta moral e como veículo de transferência de riqueza. E enquanto durar essa farsa, papéis como Par Pacific vão continuar batendo máxima histórica, não porque descobriram algum segredo produtivo, mas porque estão colhendo o dividendo do estrangulamento alheio.
O sinal que essa cotação manda é o oposto do que celebram nos telejornais. Não é sinal de economia saudável, é sinal de mercado deformado, onde o capital se concentra em quem sobreviveu à limpeza regulatória e o consumidor paga a fatura da experiência ideológica que nunca votou. Refinaria virando ativo raro nos Estados Unidos é o mesmo fenômeno de terra agrícola virando ativo raro no Brasil quando o governo resolve travar defensivo, crédito rural e licenciamento. A escassez é sempre construída, e o lucro extraordinário de quem sobra é apenas o outro lado do prejuízo silencioso de quem foi expulso do jogo. Escassez fabricada em laboratório oficial não é milagre do mercado, é o troco da arrogância de quem achou que podia redesenhar a energia do mundo numa planilha.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.