O petróleo subiu, as ações de petroleiras asiáticas seguiram atrás, e o Estreito de Ormuz voltou a lembrar o planeta de uma verdade que nenhum ministro do meio ambiente gosta de admitir: um terço do óleo que faz o mundo funcionar passa por um corredor de água que o Irã pode fechar em um fim de semana. Toda vez que Teerã tosse, o barril sobe. Toda vez que o barril sobe, o investidor que apostou em energia real, aquela que sai do chão e não da apresentação de PowerPoint em Davos, ganha dinheiro. E toda vez que isso acontece, alguém em Bruxelas finge surpresa.

Olha, o mercado é um mecanismo brutal de honestidade. Ele não se importa com a narrativa do momento, com a meta de emissões para 2050, com o discurso do secretário-geral da ONU. Ele precifica o que existe, não o que se deseja que exista. E o que existe, hoje, em 2026, é uma humanidade de oito bilhões de pessoas que precisa de energia densa, barata, estocável e transportável para não voltar à idade média em três invernos. As bolsas de Tóquio, Xangai, Mumbai e Seul entenderam o recado antes das redações ocidentais. Petrobras da vez, no caso as gigantes asiáticas, sobem porque alguém, em algum lugar, precisa acender uma lâmpada.

Quer dizer, a hipocrisia é do tamanho de um superpetroleiro. A Alemanha desativou usinas nucleares em nome do planeta e agora queima carvão de lignito, o mais sujo de todos. A Inglaterra fechou minas, importou gás, e agora paga a conta de luz com o suor do contribuinte via subsídio. Enquanto isso, China e Índia, os supostos vilões do clima, seguem construindo termelétricas, comprando petróleo iraniano com desconto, e crescendo. Não é hipocrisia deles, é matemática. Eles fazem a conta que o Ocidente esqueceu de fazer: sem energia barata, não há indústria; sem indústria, não há empregos; sem empregos, não há civilização; sem civilização, não há debate ambiental, porque quem passa fome não faz seminário sobre pegada de carbono.

Me diz uma coisa, quem lucra com a agenda verde imposta a fórceps na Europa e nos Estados Unidos? Siga o dinheiro e você encontrará um cartel de subsídios que faz o petróleo da OPEP parecer amadorismo. Turbinas eólicas, painéis solares, veículos elétricos, tudo isso é vendido como salvação do planeta, mas o balanço é feito com dinheiro público sugado de quem paga imposto para financiar o investidor de risco que doa para o político que aprova o subsídio que enriquece o investidor. É um circuito fechado de rentismo com verniz de virtude. E na outra ponta, o motorista comum, o dono de padaria, o aposentado, pagando o combustível mais caro para que o consultor de ESG viaje de jatinho para a próxima cúpula.

A tensão com o Irã não é apenas geopolítica, é pedagógica. Ela ensina, a cada barril que sobe, que segurança energética não é slogan de campanha, é infraestrutura de sobrevivência. Um país que depende de importar energia de regimes teocráticos, de ditaduras vermelhas ou de cartéis do golfo entrega sua soberania junto com o cheque. O Brasil, sentado sobre o pré-sal, com uma matriz elétrica que muitos ricos invejam, insiste em taxar, complicar e regular o próprio milagre. Enquanto isso, exportamos petróleo bruto para a Ásia refinar e reimportamos combustível caro, num arranjo que só se sustenta porque o eleitor não faz a conta e o político conta com isso.

No fim, o mercado asiático subindo com o petróleo é um recado escrito em letras garrafais para quem ainda acredita que se pode legislar contra a realidade. Enquanto o Ocidente moraliza, o Oriente capitaliza. Enquanto o Ocidente reza para o vento, o Oriente estoca óleo. E quando o próximo inverno chegar, com sua conta de aquecimento inegociável, será o mesmo eleitor que aplaudiu o fechamento da usina nuclear que vai xingar o governo pelo preço do gás. A energia não escuta ideologia, ela obedece à física. E a física, ao contrário do ministro, não pede votos.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.