Um homem parou o carro para abastecer, e outro homem chegou armado com a intenção clara de matá-lo por ele existir naquele território. Foi isso que aconteceu na Cisjordânia, e é isso que precisa ser dito com todas as letras antes que a máquina diplomática internacional transforme o episódio em mais um parágrafo neutro sobre "tensões regionais". Não houve tensão, houve execução. Não houve confronto, houve emboscada. O israelense não estava em operação militar, não estava fardado, não estava atacando ninguém. Estava colocando gasolina no tanque quando um atirador palestino decidiu que a vida dele valia menos que uma bandeira. Os soldados reagiram e neutralizaram o agressor, e é aqui que o teatro começa: a partir de agora, a contabilidade da imprensa internacional vai registrar "dois mortos", como se os dois cadáveres tivessem o mesmo peso moral.

Essa equivalência é a mentira mais cara do século. Quando se coloca no mesmo prato da balança o civil assassinado e o assassino abatido em legítima defesa coletiva, não se está fazendo jornalismo, está se fazendo propaganda de terror com verniz de imparcialidade. A pessoa comum, aquela que não passou por doutorado em relações internacionais, entende isso na primeira leitura. Ela sabe que quem chega atirando num posto de gasolina é o agressor, e quem para o agressor é a defesa. Precisa de intelectual sofisticado, de diplomata europeu, de chanceler bem pago para complicar o óbvio a ponto de inverter os papéis. Complicar o óbvio, aliás, é o esporte favorito de quem financia o problema fingindo mediar a solução.

E aqui vale seguir o rastro do dinheiro, porque nenhum atentado dessa natureza brota do chão como cogumelo. A infraestrutura que sustenta o terrorismo palestino, os salários pagos às famílias de "mártires", a rede de escolas que ensina crianças de sete anos a desenhar facas cravadas em judeus, tudo isso custa caro, e alguém paga a conta. Uma parte vem do Irã, ninguém tem dúvida disso. Outra parte, mais constrangedora, vem de agências da ONU e de programas de "ajuda humanitária" bancados pelos mesmos contribuintes ocidentais que depois assistem ao noticiário sem entender por que a guerra nunca acaba. Não acaba porque foi terceirizada como indústria, e indústria que fatura não fecha as portas por causa de comunicado de chancelaria.

O caso ilustra também a falência da tese de que Estados se constroem por decreto de sala refrigerada. Há décadas o consenso das elites internacionais é que basta reconhecer um Estado palestino, redigir um mapa, dividir uma cidade e o problema se resolve. Não se resolve porque não é problema de fronteira, é problema de doutrina. Enquanto a doutrina oficial dos grupos armados que dominam o território for a eliminação física dos judeus, nenhuma linha desenhada em Genebra vai transformar o atirador do posto de gasolina em cidadão pacífico. A ordem social que funciona não é aquela projetada por comitê, é aquela que emerge de instituições enraizadas, de contratos respeitados, de propriedade protegida. Onde nada disso existe, o que se ergue não é Estado, é máfia com bandeira.

Israel, com todos os seus defeitos, e são muitos, entendeu uma coisa que o Ocidente esqueceu: a liberdade tem custo, e o custo se paga com vigilância permanente. Um país que precisa colocar segurança armada em posto de gasolina não é um país normal, é um país que sobrevive apesar do mundo, não graças a ele. Cada israelense que sai de casa pela manhã sabe que pode não voltar, e mesmo assim sai, trabalha, produz, cria, inova. Enquanto isso, do outro lado do muro, gerações inteiras são criadas com o único projeto de vida de matar o vizinho. Compare os dois modelos por meia hora honesta e diga qual civilização merece sobreviver.

O que aconteceu ontem na Cisjordânia não é notícia isolada, é sintoma de uma doença crônica que o Ocidente se recusa a diagnosticar por medo de ofender o carrasco. E enquanto a covardia intelectual continuar chamando terrorismo de resistência e legítima defesa de escalada, mais civis vão morrer abastecendo o carro, mais famílias vão enterrar filhos, e mais chancelarias vão emitir notas de preocupação escritas pelo mesmo estagiário de sempre. A paz não nasce do documento, nasce da vitória inequívoca de um lado sobre o outro, e adiar essa vitória em nome da diplomacia é prolongar o massacre em prestações.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.