A Bimergen subiu ao palco de mais uma conferência de investidores para anunciar que agora é uma empresa de armazenamento de energia, com plano de crescimento, meta ousada e aquele vocabulário de PowerPoint que faz analista de banco babar. O enredo é o mesmo de sempre nesse setor: descobrimos a mina de ouro, precisamos de capital, e ah, felizmente o governo entende a importância estratégica do negócio. Traduzindo do corporativês: alguém vai pagar essa conta, e não vai ser o acionista.
Repare no truque. Armazenamento de energia virou o novo queridinho porque as políticas de transição energética criaram, artificialmente, um problema que agora precisa ser resolvido com mais política e mais dinheiro público. Você força uma matriz a depender de fontes intermitentes, gera instabilidade sistêmica, e então aparece um exército de empresas dispostas a resolver o problema que a intervenção criou, desde que devidamente remuneradas com crédito subsidiado, isenção tributária e contratos garantidos. É a espiral do intervencionismo funcionando como manual: cada regulação gera uma distorção, cada distorção justifica um novo subsídio, e o mercado vira uma caricatura sustentada por muleta fiscal.
Siga o dinheiro e a mágica evapora. Quem consome a bateria que a Bimergen quer vender? Concessionárias reguladas, projetos de energia que já vivem de leilão governamental, e programas de incentivo empurrados pelo BNDES e congêneres. Ou seja, o cliente final da história é o pagador de imposto brasileiro, aquele sujeito que nunca foi consultado sobre querer financiar a aventura verde de ninguém, mas cuja conta de luz sobe silenciosamente para bancar contrato de longo prazo indexado, garantido, blindado. O empresário chama isso de visão de futuro. O contribuinte, se soubesse, chamaria pelo nome certo.
O detalhe cômico é a linguagem. Ninguém mais diz que quer lucrar; agora todos querem contribuir para a descarbonização, liderar a transição, entregar valor para o ecossistema. É o velho capitalismo de compadrio vestindo roupa nova, com a diferença de que antes o barão do café pelo menos tinha a decência de admitir que queria proteção alfandegária. Hoje o barão da bateria posa de salvador do planeta enquanto encaminha o pedido de financiamento subsidiado ao mesmo Estado que ele diz querer superar.
E note o que não se vê. Cada real que o governo direciona para financiar armazenamento é um real que saiu de outro lugar, provavelmente do bolso de um pequeno empresário via imposto, ou do poder de compra de todo mundo via emissão monetária que corrói o salário. O emprego criado na fábrica de baterias aparece na foto oficial; o emprego que não existiu na padaria, na oficina, no comércio de bairro porque o capital foi drenado para a moda verde, esse fica invisível. Sempre fica. E é sempre nele que mora o verdadeiro custo da farra.
No fim das contas, o plano de crescimento da Bimergen pode até dar certo do ponto de vista contábil, e provavelmente vai, porque quem tem contrato com o Estado raramente perde. Mas chamar isso de sucesso empresarial é um insulto à inteligência de quem entende como o jogo funciona. Sucesso empresarial é conquistar o consumidor num mercado onde ele pode dizer não. O que se vê aqui é outra coisa: é a habilidade, cada vez mais valorizada no Brasil, de transformar lobby em plano de negócios e passar o chapéu na sociedade inteira sob o pretexto nobre de estar salvando o futuro.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.