O diretor financeiro da Gevo, aquela fabricante de combustível "sustentável" que vive de pedir benesse no balcão de Washington, acaba de despejar US$ 56.651 em ações da própria companhia no mercado. O número parece pequeno, e é justamente aí que mora a graça da coisa. Ninguém vende posição em empresa que acredita estar prestes a decolar; vende quem precisa do dinheiro, ou pior, quem sabe de algo que o investidor de varejo ainda não foi avisado. O CFO é o sujeito que enxerga a planilha antes de qualquer um. Quando ele aperta o botão de "sell", o cidadão que comprou o sonho verde via aplicativo deveria, no mínimo, levantar a sobrancelha.

A Gevo é o retrato perfeito do capitalismo que não é capitalismo. A empresa não existiria sem os créditos fiscais do governo americano para biocombustíveis, sem o lobby da agenda de descarbonização, sem o batalhão de burocratas que decretou, em algum gabinete climatizado, que o etanol de milho turbinado é o futuro da aviação. Tira o subsídio e a tese desaba como castelo de cartas em corrente de ar. O modelo de negócio é, em essência, transferir dinheiro do contribuinte para os acionistas via narrativa ambiental, e os acionistas que estão por dentro do esquema sabem exatamente quando é hora de pular fora.

Siga o dinheiro e a história fica clara. O cidadão comum paga imposto, o imposto vira crédito tributário verde, o crédito vira receita para a Gevo, a receita vira bônus para o executivo, o bônus vira ação, e a ação vira dólar líquido na conta do executivo. O contribuinte, esse otário virtuoso, fica com a conta e com o discurso de que está salvando o planeta. É a mesma engenharia de séculos atrás, quando o rei vendia monopólios a cortesãos em troca de fidelidade política; mudou o figurino, mudou o vocabulário, mas o roubo tem a mesma cara.

O que se vê é o anúncio formal numa caixinha de SEC, vendido pela imprensa como rotina burocrática. O que não se vê é o sinal silencioso de que quem está na ponte de comando talvez não acredite no destino do navio tanto quanto os panfletos institucionais querem fazer parecer. Quando o vendedor é o próprio cozinheiro do livro contábil, a notícia importa mais do que o tamanho da cifra sugere. Não é o valor que fala, é a direção da seta.

Há algo de profundamente revelador no fato de que toda a indústria da "transição energética" se sustenta nessa mesma arquitetura: empresas que não fecham conta no mercado, mas fecham conta no Tesouro; CEOs que falam em salvar o mundo enquanto liquidam posição; fundos ESG que cobram taxa para empurrar papel de companhias dependentes de caneta de político. O dia em que essas tetas secarem, ninguém vai ficar para acender a luz. E os de dentro, esses, já estão ensaiando a saída há tempos, em pequenas vendas que individualmente parecem insignificantes e somadas contam outra história.

Você, investidor de varejo, recebe o relatório anual cheio de gráficos coloridos e juramentos de fé na descarbonização. O CFO recebe o extrato bancário com o dinheiro da venda já creditado. Adivinha qual dos dois está com a melhor informação. A regra mais antiga do mercado continua valendo, e nenhum greenwashing consegue revogá-la: olhe para o que os insiders fazem, não para o que dizem nas conferências.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.