Mais uma quarta-feira, mais uma ata do Copom sendo esperada como se fosse revelação divina, quando qualquer um com dois neurônios funcionando já sabe o que vem: linguagem cuidadosamente ambígua para não desagradar o Planalto, promessas de "vigilância" que ninguém cobra, e a taxa Selic dançando conforme a música que o Executivo assobia por baixo do pano. A autonomia do Banco Central, aquela reforma vendida como pedra fundamental da estabilidade, virou peça de teatro onde todos fingem acreditar. Enquanto isso, o Ibovespa oscila ao sabor de um documento que ninguém sabe se reflete convicção técnica ou pressão política, porque preço de juros em economia intervencionada não é preço, é sentença.

O tombo do petróleo, por sua vez, é o tipo de acontecimento que expõe a fragilidade estrutural de uma bolsa que ainda depende de uma estatal para respirar. A Petrobras cai, o índice cai, e a plateia se pergunta por que uma economia continental precisa vincular seu destino financeiro ao humor da Opep e às canetadas de acionista controlador que confunde política de dividendos com programa social. Empresa capturada por interesse político não é empresa, é cofre partidário fantasiado de sociedade anônima, e quando o barril desaba lá fora, o rombo aparece aqui dentro, invariavelmente pago pelo minoritário que teve a ingenuidade de acreditar em governança.

Sobre as techs americanas, o script se repete com pontualidade britânica: dinheiro barato inflou balões, o Fed reconhece tardiamente que exagerou na dose, e agora o ar sai pelos furos com estardalhaço. Toda vez que um banco central expande crédito artificialmente, cria-se um ciclo de euforia seguido de ressaca, e nenhum comunicado eloquente muda essa aritmética. O que se vê é o Nasdaq sangrando; o que não se vê são os projetos reais, empresas que fariam sentido em uma economia com juros verdadeiros, sufocados durante anos porque o capital foi drenado para startups que queimavam bilhões vendendo prejuízo com verniz de inovação.

As pesquisas eleitorais no radar completam o quadro grotesco. O mercado brasileiro precifica candidato como se estivesse apostando em corrida de cavalo, porque sabe que aqui a diferença entre um governo e outro é a diferença entre confisco explícito e confisco disfarçado. Nenhum investidor sério aloca capital pensando em fundamentos quando o fundamento é adivinhar qual grupo político vai tomar posse da máquina de imprimir dinheiro e distribuir favores. Isto não é capitalismo, é loteria com regras móveis, e o prêmio é sempre para quem tem acesso ao gabinete certo.

O pior é que se acostumou. O investidor brasileiro médio já opera com a naturalidade de quem sabe que a mesa está inclinada, que a casa ganha, e que a única estratégia racional é tentar sair antes do próximo tombo. Isto tem nome, e não é economia de mercado: é uma engrenagem em que o Estado captura a poupança nacional via dívida pública, remunera bem quem financia sua gastança, e chama isso de renda fixa quando na verdade é imposto inflacionário travestido de aplicação conservadora. Enquanto durar essa farsa, toda ata do Copom será apenas mais um capítulo do mesmo folhetim.

No fim do dia, o que o pregão de hoje ensina, se alguém ainda estiver disposto a aprender, é que não existe bolsa saudável em país onde o Estado é o maior tomador de crédito, o maior empregador, o maior regulador e o maior mentiroso sobre suas próprias contas. Petróleo cai, tech desaba, ata sai, pesquisa muda, e a única constante é a fatura chegando na sua conta, com juros, correção monetária e o sorriso complacente de quem sabe que você não tem para onde correr.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.