Oitenta anos depois da grande arquitetura de organismos internacionais, agências multilaterais e ONGs financiadas por gente que ninguém elegeu, o veredito está aí: os países que mais se ajoelharam diante do altar globalista são justamente os mais quebrados, mais endividados, mais dependentes e mais infelizes. Quer dizer, prometeram paz perpétua, prosperidade compartilhada e cooperação harmoniosa, e entregaram inflação exportada, indústrias destruídas, fronteiras dissolvidas e uma casta de burocratas vitalícios que voa de primeira classe para discutir, em resorts suíços, como o cidadão comum deve comer menos carne. Todo grande projeto utópico do último século terminou assim, com belas fotografias oficiais e ruínas concretas.

O truque sempre foi o mesmo, e é tão velho quanto Babel: convencer o sujeito de que decisões vitais sobre sua energia, sua comida, sua moeda e seus filhos são complicadas demais para ele, e que existe um comitê internacional de especialistas capacitados para pensar em seu lugar. Olha, isto não é ciência, é teologia invertida. Nenhum burocrata em Bruxelas, Washington ou Nova York possui o conhecimento disperso entre bilhões de pessoas que acordam todo dia calculando preços, oportunidades e riscos concretos. O mercado agrega essa informação em tempo real; o comitê a substitui por um chute ideológico bem remunerado. Toda vez que o chute virou política pública, o resultado foi o mesmo: escassez onde havia abundância, pobreza onde havia trabalho, dependência onde havia iniciativa.

E aqui entra a parte que os editoriais do jornalão sempre esquecem de mencionar, porque quebraria o encanto: siga o dinheiro. Cada tratado climático, cada meta de desenvolvimento sustentável, cada pacote de ajuda humanitária, cada agência de saúde global tem um beneficiário concreto. Não é o camponês etíope, não é o operário americano, não é a mãe brasileira que paga R$ 12 no quilo do arroz. É o consultor com apartamento em Genebra, o fundo que administra os créditos de carbono, a farmacêutica que vende o insumo, a fundação bilionária que compra jornalistas por atacado e paga think tanks para publicar exatamente o relatório que ela encomendou. O globalismo nunca foi um projeto moral, foi um esquema de rentismo com verniz de altruísmo. Confisco legalizado disfarçado de cooperação internacional.

Enquanto isso vendiam ao cidadão a fábula da janela quebrada em escala planetária: destruir a indústria nacional em nome do meio ambiente geraria empregos verdes, fechar refinaria criaria prosperidade, importar tudo da China baratearia a vida. O que se via era a promessa; o que não se via era a fábrica fechada na cidade pequena, o pai desempregado, a comunidade esvaziada, o filho que virou estatística de opioide ou de crack. Reconstrução não é crescimento, catástrofe não aquece a economia, e desindustrialização planejada não é modernização, é suicídio econômico com música ambiente de piano.

O que está acontecendo agora, dos Estados Unidos à Argentina, da Itália à Hungria, do Leste Europeu ao Cone Sul, é a redescoberta de uma verdade antiga que a intelligentsia globalista tentou fazer desaparecer com sarcasmo: o povo de cada nação tem o direito natural de decidir sua própria vida, sua própria moeda, sua própria fronteira, seu próprio destino. Não porque o nacionalismo seja santo, mas porque nenhum poder distante possui legitimidade para tomar decisões cujas consequências ele nunca vai sofrer. O burocrata internacional propõe políticas; o cidadão local paga a conta. Este descasamento entre quem manda e quem sangra é o pecado original de toda tirania, e ela costuma vir de terno bem cortado, falando três idiomas e sorrindo para as câmeras.

A reconstrução da soberania não é retrocesso, é higiene civilizacional. Antes de derrubar uma cerca, é preciso entender por que ela foi construída, e as nações foram construídas justamente para conter o apetite ilimitado dos que querem governar sem prestar contas. A grande piada da nossa época é que os mesmos que passaram décadas ridicularizando patriotas como caipiras atrasados agora acusam a volta ao bom senso de ser extremismo. Extremismo é achar que uma comissão em Davos deve decidir se sua família come proteína animal. Bom senso é lembrar que quem paga o imposto tem o direito de escolher quem governa, e que quem governa deve morar no mesmo país que arruína ou salva. Torne cada nação grande de novo, e o mundo se acerta sozinho, sem babá internacional, sem tutor iluminado, sem imperador de crachá.

Com informações da ZeroHedge. A análise e opinião são do O Algoz.