Sete mil. Esse é o número de robôs humanoides que atravessaram o balcão de vendas no mundo inteiro em 2025, segundo os últimos levantamentos do setor. Parece pouco para quem esperava uma revolução hollywoodiana, mas é exatamente o tipo de número que costuma preceder as grandes viradas industriais. A locomotiva a vapor também vendeu poucas unidades no começo, e ninguém imagina hoje um mundo sem transporte mecanizado. A pergunta que interessa não é quantos foram vendidos, e sim quem já está afiando o cutelo regulatório para taxar, restringir e domesticar o setor antes mesmo que ele saiba andar sem tropeçar.

Olha, cada humanoide vendido hoje custa entre trinta e cem mil dólares, dependendo do modelo, das articulações, da capacidade de manipulação fina. Um preço proibitivo para o consumidor comum, um preço convidativo para fábricas, hospitais e depósitos que já calcularam o retorno em substituição de mão de obra cara. A China respondeu por mais da metade dessas vendas, os Estados Unidos vieram atrás, e a Europa, previsivelmente, ficou perdida entre comissões éticas e diretivas que ainda nem foram redigidas. Enquanto os asiáticos produzem, os europeus discutem se o robô deve ter direitos. Adivinhe quem vai dominar o mercado nos próximos dez anos.

Quer dizer, o mais engraçado é a reação previsível dos guardiões da moralidade estatal. Assim que os números vieram a público, já se ouve o coro pedindo taxação especial sobre automação, seguro-desemprego financiado por robôs, e aquela velha ladainha de que a tecnologia precisa ser conduzida com prudência pelos sábios de plantão. É a falácia da janela quebrada em roupagem futurista: alguém enxerga o operário deslocado, chora por ele nos jornais, exige compensação via imposto. Ninguém enxerga o consumidor que pagará mais caro, o pequeno empreendedor que não terá acesso à ferramenta, o inventor que desistirá porque o retorno virou punição fiscal.

Me diz uma coisa: quando foi a última vez que uma inovação regulada preventivamente por comitê governamental terminou barata, acessível e amplamente disponível? A resposta é nunca. Cada tentativa de disciplinar o inédito na origem apenas transferiu o mercado para o cartel dos poucos que tinham advogados suficientes para navegar o labirinto burocrático. A regulação não protege o trabalhador, protege o incumbente. E os incumbentes já estão em Bruxelas, em Washington e em Brasília sentados na mesa dos formuladores, redigindo as regras que garantirão que só eles possam produzir, importar e distribuir humanoides. Siga o dinheiro, sempre.

Há também um aspecto mais profundo, que os planejadores fingem não ver. A automação humanoide não é ameaça ao trabalho, é ameaça ao arranjo político que se alimenta do trabalho subordinado. Um operário produtivo é um contribuinte cativo, um eleitor previsível, um dependente do sistema. Um empreendedor que compra três humanoides e monta sua própria linha de produção sem precisar de sindicato, sem folha de pagamento inflada por encargos, sem gerente de recursos humanos vigiando pronomes, esse indivíduo é uma ameaça existencial ao Estado moderno. Por isso a pressa em regular. Não é medo da máquina, é medo da liberdade que a máquina viabiliza.

Sete mil unidades em 2025. As projeções do próprio setor apontam para cem mil em 2027 e possivelmente um milhão até 2030. Se essa curva se concretizar, e não há razão técnica para duvidar, viveremos em uma década a maior transformação da relação entre capital e trabalho desde a máquina a vapor. A única dúvida é se essa transformação chegará como libertação, com humanoides baratos permitindo que o cidadão comum multiplique sua produtividade, ou como servidão renovada, com humanoides caríssimos monopolizados por corporações abençoadas pelo governo. A resposta depende inteiramente do que os legisladores conseguirem estragar nos próximos vinte e quatro meses. Aposte com cuidado.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.