A Grande Simplificação

Simplificar, no dicionário do Estado, é um verbo curioso. Significa pegar algo ruim, prometer que vai melhorar, criar um sistema três vezes mais complexo e depois cobrar mais caro pela confusão que ele mesmo inventou. A reforma tributária brasileira é a obra-prima desse gênero. Foram anos de debate para substituir uma salada de impostos por uma feijoada de impostos, agora com molho de transição que vai durar até 2033. A alíquota combinada de referência, aquela que ninguém ousava dizer em voz alta, chegou ao patamar de uma das mais altas do planeta. Parabéns ao Brasil: somos campeões mundiais em alguma coisa que ninguém queria ser campeão.

O mais perverso é a narrativa. Vendem o IVA como "modernização", como se cobrar 26,5% sobre quase tudo fosse sinal de progresso. Enquanto isso, o empreendedor que já vivia sufocado agora precisa entender split payment, cashback tributário, regimes diferenciados, exceções setoriais e um comitê gestor que ninguém elegeu. A burocracia não diminuiu. Ela ganhou um novo guarda-roupa. O dinheiro continua saindo do mesmo bolso de sempre: o do cidadão que acorda cedo, trabalha, produz e, no fim do mês, descobre que metade do que gerou foi devorado por um monstro que se autointitula serviço público.

A verdade é simples, mesmo que o sistema tributário nunca seja: o Estado não simplifica porque não quer. Um sistema complexo é um sistema onde só ele entende as regras, e quem faz as regras sempre ganha o jogo. O contribuinte brasileiro não precisa de reforma. Precisa de menos Estado.

A análise e opinião são do O Algoz.