Salão dourado e cavernoso do palácio do Soberano. O ESTADO, obeso, terno preto justo e capa vermelha esvoaçante, está sentado num trono feito de cofres empilhados. Olhos amarelos brilham enquanto ele
O ESTADO: "Senhores burocratas, descobri uma riqueza inexplorada... o ar dos pulmões do povo!"
Cadeia de TV oficial. O ESTADO aparece em rede nacional num cenário com bandeiras e gráficos falsos subindo. Ele sorri mostrando dentes de ouro enquanto segura um boleto com a mão regordeta. No canto
O ESTADO: "Cidadãos! Cada inspiração emite CO2. Por amor ao planeta, cobraremos R$ 0,07 por respiração."
Cozinha humilde. O CONTRIBUINTE, magro, olheiras profundas, camiseta furada, olha o boleto de R$ 4.380,00 chegando pelo correio através de um drone fiscal. Na mesa, um prato com meio ovo. A esposa seg
BUROCRATA: "Senhor, boa notícia! Parcelamos em 480x sem juros... só com correção monetária, multa, taxa de adesão e ICMS sobre o parcelamento."
Cemitério à noite. Lápide simples do CONTRIBUINTE. Sobre a lápide, um BUROCRATA coloca um novo boleto enquanto O ESTADO observa do alto de uma colina, gargalhando com a capa esvoaçando ao vento. Na lá
CONTRIBUINTE (fantasma): "Finalmente livre do Leão..."
O Brasil de 2026 amanheceu novamente sob o anúncio de mais uma "contribuição emergencial", dessa vez fantasiada de pauta climática. A receita é velha, o figurino é novo: pinta-se de verde aquilo que sempre foi vermelho de sangue do contribuinte. Quando o Soberano descobre uma nova palavra da moda, descubra você um novo buraco no bolso. Não existe causa nobre na boca de quem imprime dinheiro, existe pretexto.
Repare no roteiro: cria-se um problema cósmico, decreta-se que só o Estado pode resolvê-lo, e cobra-se de quem nunca foi consultado. O cidadão que acorda às cinco da manhã para pegar dois ônibus vai pagar pelo CO2 emitido enquanto corre atrás do salário que a Inflação já comeu antes de cair na conta. Enquanto isso, o jato oficial decola para mais uma conferência internacional onde o Leviatã promete, de smoking, salvar o planeta com o seu dinheiro. Follow the money: cada centavo arrecadado em nome do clima vira cargo, vira diária, vira fundo partidário, vira aposentadoria de marajá. Nunca vira árvore.
A verdade incômoda é que o ar é uma das últimas coisas que ainda não foram tributadas, e isso, para a Besta, é uma falha de mercado a ser corrigida. Toda regulação nasce gêmea de um lobby, todo imposto nasce gêmeo de uma narrativa moral. Não se discute a conta, discute-se a virtude. E quem ousa pedir a planilha é chamado de negacionista, sonegador ou inimigo do futuro. O futuro deles, claro, é dourado. O nosso é parcelado em 480 vezes. A análise e opinião são do O Algoz.