A Reforma Que Simplifica Tudo (Menos Sua Vida)

Quando o Estado diz simplificação, segure a carteira. A reforma tributária brasileira prometeu acabar com o manicômio de siglas — PIS, Cofins, ICMS, ISS, IPI — e entregar um sistema limpo. O que entregou foi um frankenstein regulatório com a maior alíquota sobre consumo do planeta, um período de transição que dura uma década inteira e um volume de exceções que faria qualquer código tributário europeu parecer um haiku.

O truque é velho: muda-se o nome, muda-se a embalagem, mas a mão no seu bolso continua a mesma. O contribuinte brasileiro vai pagar mais, vai preencher formulários diferentes (não menores), e vai sustentar um exército ainda maior de fiscais, auditores e consultores tributários que existem exclusivamente porque o sistema é incompreensível por design. Simplicidade de verdade caberia numa página. O que veio precisa de quatorze volumes. Isso não é reforma. É rebranding de assalto.

Enquanto isso, quem produz, quem empreende, quem acorda às cinco da manhã, continua sendo tratado como suspeito até que prove o contrário — com documentos carimbados em triplicata, claro.

A análise e opinião são do O Algoz.