Toda vez que O Estado promete simplificar, prepare o bolso. A retórica da unificação tributária é o truque mais antigo do livro: você troca três monstros conhecidos por um monstro novo, maior, com regulamentação infralegal redigida por gente que nunca emitiu uma nota fiscal na vida. O cidadão é convidado a aplaudir o próprio enterro porque, dizem, agora a lápide tem fonte mais legível.
O detalhe que ninguém sublinha é simples: nenhuma reforma tributária na história deste país jamais reduziu a carga. Ela apenas redistribui o sufoco, troca o nome do tributo, cria comitês gestores, secretarias de transição, autoridades reguladoras — cada uma com seus diretores, seus assessores, seus carros oficiais. Follow the money: o que se chama de simplificação é, na prática, a criação de uma nova camada burocrática sobreposta às antigas, que ninguém ousou desmontar. O carnê novo não substitui o velho. Ele se senta ao lado dele e pede licença para crescer.
Enquanto isso, o pão amanhece mais caro, o aluguel reajusta no IPCA inventado, e o empreendedor que sustenta tudo isso é tratado como suspeito até prova em contrário. A engrenagem é elegante na sua crueldade: confunde, cansa, vence pela exaustão. Quem entende, foge; quem fica, paga; quem reclama, é chamado de radical. O carrasco aprendeu boas maneiras — mas o machado continua o mesmo.
A análise e opinião são do O Algoz.
