Prometeram simplificação. Entregaram um monstro de mil cabeças batizado com nome novo. A velha receita do Leviatã funciona assim: você reclama da complexidade, ele promete reforma, e no fim do parto nasce uma criatura ainda mais faminta, só que agora com marketing melhor. Trocaram cinco siglas por uma sopa de letrinhas que exige um batalhão de contadores para ser decifrada, e o empreendedor que vende pão na esquina virou réu fiscal antes mesmo de abrir a padaria.
O truque é sempre o mesmo: follow the money. Enquanto a plateia discute se a alíquota é de 26% ou 28%, ninguém pergunta por que o Estado precisa engolir um quarto de tudo que se produz neste país. A alíquota média sobe silenciosamente, os regimes especiais beneficiam quem tem lobby em Brasília, e o pequeno produtor descobre que cashback social é só um nome bonito para devolver migalhas do que foi roubado no caixa.
A regulamentação complementar já passa de quatro mil páginas e continua crescendo como tumor. Cada nova portaria é um emprego garantido para mais um burocrata, cada exceção é um favor político, cada nota técnica é uma corrente a mais no tornozelo de quem produz. Simplificaram tanto que agora só quem entende de imposto é quem vive de cobrar imposto. A análise e opinião são do O Algoz.
