Toda vez que o Leviatã promete simplificar, prepare o bolso: a palavra no dicionário oficial significa cobrar mais, em mais lugares, com nomes mais bonitos. A reforma tributária vendida como milagre de transparência nasceu com mais de quatro mil páginas de regulamentação, dezenas de regimes especiais, um comitê gestor com poder de príncipe medieval e uma alíquota de referência que sobe toda vez que alguém do andar de cima decide que precisa de mais um palácio.

O truque é antigo e sempre funciona: você tira sete impostos do bolso esquerdo, coloca um único no bolso direito, e enquanto o cidadão aplaude a "modernização", a alíquota é reajustada por decreto a cada trimestre. Follow the money: ninguém que vive de tributo jamais propôs uma reforma para arrecadar menos. Reforma tributária no Brasil é como dieta de chocólatra, sempre começa amanhã e termina com mais sobremesa.

O empreendedor fecha as portas, o trabalhador come menos, o consumidor paga embutido, e o burocrata ganha um novo sistema com sigla nova para gerenciar. No fim, o Soberano sorri da janela do palácio enquanto promete que na próxima reforma tudo vai melhorar. Spoiler: vai melhorar para ele.

A análise e opinião são do O Algoz.