A grande mágica de 2026 chama-se simplificação tributária. Cinco impostos viraram três, e nos disseram que era progresso. Mas follow the money: a alíquota de referência aprovada beira os 28%, uma das mais altas do planeta para um IVA, e o Comitê Gestor do novo sistema reúne mais burocratas, mais cargos e mais poder centralizado do que toda a estrutura anterior somada. Trocaram cinco fechaduras por três cofres. Você continua do lado de fora.
O que ninguém celebra nas propagandas oficiais é que nenhum imposto foi de fato extinto: foram rebatizados, fundidos e turbinados. O Imposto Seletivo, vendido como "imposto do pecado", é um cheque em branco para taxar qualquer coisa que o Soberano resolva chamar de nociva amanhã. Refrigerante hoje, carne vermelha depois, talvez seu carro a combustão na sequência. A régua é móvel, a sede é fixa.
A reforma não reduziu a carga, reduziu a sua capacidade de contar quanto pagam. E essa é a única simplificação que interessa ao Leviatã: aquela em que você desiste de somar. A análise e opinião são do O Algoz.