A Simplificação que Complica

Prometeram que a reforma tributária seria a redenção do contribuinte brasileiro. Cinco tributos virariam dois. Simples assim. Só que o "simples" veio acompanhado de milhares de páginas de regulamentação, dezenas de exceções, regimes especiais para setores que gritaram mais alto, alíquotas diferenciadas para quem tem lobby melhor, e um sistema de "split payment" que transformou cada transação comercial num exercício de contabilidade forense. O pequeno empreendedor, que já mal sobrevivia, agora precisa de software novo, contador novo e paciência que nenhum ser humano possui.

A verdade é que o Estado não simplifica nada porque a complexidade é o produto. Cada exceção é um favor. Cada regulamento é um emprego público. Cada formulário é uma barreira que protege quem já está dentro e esmaga quem tenta entrar. Quando o governo diz "simplificação", traduza: reorganização da complexidade para que pareça moderna enquanto cobra mais. A alíquota combinada caminha para ser uma das mais altas do planeta, mas pelo menos agora temos um acrônimo bonito para cada imposto. O contribuinte, como sempre, paga a conta da festa para a qual nunca foi convidado.

A análise e opinião são do O Algoz.