A Taxa do Ar-Condicionado Climático Solidário

Toda nova taxa nasce embrulhada em uma causa nobre. Antigamente era a guerra, depois a saúde, depois a educação, agora é o clima. A embalagem muda, o conteúdo é sempre o mesmo: tirar do bolso de quem produz para encher o bolso de quem legisla. Quando o termômetro sobe, o Leviatã sente cheiro de oportunidade, e cada gota de suor do trabalhador vira justificativa para mais uma alíquota disfarçada de virtude planetária.

Repare no follow the money: a tal contribuição verde nunca planta uma árvore, nunca refresca uma escola, nunca chega na periferia que cozinha sem ventilador. Ela vai para o caixa único, se mistura com a folha de pagamento do andar nobre, financia gabinetes climatizados a 18 graus e viagens de comitiva para conferências em hotéis cinco estrelas. Quem prega sacrifício energético é sempre quem nunca abriu mão do próprio conforto. A austeridade ambiental é, como toda austeridade decretada de cima, um privilégio de classe vendido como dever cívico.

O clima pode até estar mudando, mas a tática é antiga como o primeiro coletor de impostos do mundo: inventar um apocalipse, posar de salvador, cobrar pelo resgate. E no fim, quem derrete não é a geleira, é o salário. A análise e opinião são do O Algoz.