A Taxa do Ar Puro Chegou (E Voce Vai Adorar)

Existe uma logica perversa que governa toda nova taxa: ela nunca nasce porque o cidadao precisa pagar mais, mas sempre porque o aparato precisa receber mais. A diferenca parece sutil, mas e a fronteira entre servir e servir-se. Quando o rombo aparece, ninguem em Brasilia pergunta o que o Estado deveria parar de fazer. Pergunta-se apenas o que ainda nao foi taxado. E a resposta, ano apos ano, e sempre a mesma: existe SIM algo que ainda pode ser tributado, basta criatividade burocratica suficiente.

O brasileiro medio ja trabalha cinco meses por ano apenas para pagar tributos, e mesmo assim continuam dizendo que "falta arrecadacao". Follow the money: para onde vai esse dinheiro que sempre falta? Para uma maquina que cresce mais rapido que a economia que a sustenta, para subsidios direcionados a setores amigos, para juros de uma divida que foi contraida para pagar mais despesas correntes. O ar que voce respira ainda nao foi taxado oficialmente, mas a logica de que tudo pode ser fato gerador ja esta consolidada. CIDE-Combustivel, CIDE-Remessa, CIDE-Tecnologia, taxa de iluminacao publica em quem mora em predio sem iluminacao publica, taxa de coleta de lixo em quem nao tem coleta. A criatividade fiscal e ilimitada justamente porque a vergonha e nula.

O Leviatã nao precisa do seu consentimento para inventar uma nova cobranca, basta uma canetada e uma justificativa nobre o suficiente para o telejornal das 20h. Saude publica, meio ambiente, justica social, combate a desigualdade, transicao energetica. As bandeiras mudam, o bolso esvazia. E o pior: pagamos com o sorriso amarelo de quem foi convencido de que a culpa do rombo e nossa, por consumir, por produzir, por existir, por respirar. Talvez a unica forma honesta de sonegacao que ainda nos resta seja parar de aplaudir cada novo "pacote emergencial". A análise e opinião são do O Algoz.