A Taxa do Ar Puro: Respirar Agora Tem CNPJ

Quando o Estado descobre uma nova base tributável, ele não pergunta se é justo, se é moral, se é sequer físico. Ele pergunta apenas quanto rende. A criatividade arrecadatória brasileira já taxou herança de quem morreu pobre, lucro que nunca existiu, salário que a inflação devorou antes da folha cair. Faltava o oxigênio, e olhe que faltava pouco.

Toda nova contribuição vem embrulhada na mesma fita: emergência, solidariedade, futuro das crianças, transição de alguma coisa. O vocabulário muda, o bolso furado é sempre o mesmo. E o detalhe que ninguém comenta: o dinheiro arrecadado em nome do "planeta" raramente planta uma árvore, mas planta com galhos largos o orçamento da estrutura que o arrecada. Siga o dinheiro e você não vai parar numa floresta. Vai parar num gabinete climatizado.

O mais cômico é que, enquanto o Leviatã comemora cada centavo extorquido, a sócia silenciosa dele já está derretendo a moeda no cofre. O contribuinte paga em real, o Estado recebe em pó. No fim, sobra apenas o cidadão prendendo a respiração, literal e metaforicamente, esperando o próximo decreto explicar por que agora também vão taxar o ato de existir. A análise e opinião são do O Algoz.