Salao pomposo com brasao dourado na parede. O ESTADO, obeso, de terno escuro e capa vermelha esvoacante, sorri diante de um microfone dourado. Atras dele, um exercito de BUROCRATAS identicos de terno
O ESTADO: "Cidadaos! Descobrimos que voces exalam CO2! A partir de hoje, cada expiracao sera tributada em 0,003 centavos via PIX automatico. E pela ciencia!"
O CONTRIBUINTE, magro, olheiras profundas, camisa amassada, esta em casa olhando o celular em choque. A tela mostra notificacoes infinitas de PIX debitado: "-R$ 0,003... -R$ 0,003... -R$ 0,003...". Ao
CONTRIBUINTE: "Ate o Totó esta pagando imposto de respiracao?!"
Escritorio luxuoso. O ESTADO assina pilhas de papeis enquanto BUROCRATAS trazem mais carimbos. Na parede, um telao mostra o "Medidor Nacional de Respiracao" com numeros subindo vertiginosamente. A INF
A INFLACAO: "Meu amor, que tal cobrar tambem por batimentos cardiacos?" O ESTADO: "Genial! Vida e privilegio, nao direito!"
O CONTRIBUINTE, agora em pe no meio da rua, segura o celular com a ultima mensagem: "SALDO INSUFICIENTE. RESPIRACAO SUSPENSA." Ele olha para cima, para o ceu cinzento, e prende a respiracao com um mei
CONTRIBUINTE: "Se respirar virou luxo, senhor Estado... eu posso muito bem morrer de graça. E de graça o senhor nao ganha nada."
Acompanhe o dinheiro e voce encontrara o motivo. Toda vez que o Leviatã descobre uma nova "crise existencial" da humanidade, o que nasce dela nao e solucao, e arrecadacao. O clima, a saude, a seguranca, a desigualdade: todos viraram pretextos elasticos para esticar o tentaculo fiscal ate onde antes nao chegava. Hoje e o carbono na sua expiracao. Amanha sera a sombra que voce projeta no asfalto publico.
O truque e sempre o mesmo. Inventa-se uma emergencia moral, contrata-se um exercito de especialistas para valida-la, cria-se uma taxa "simbolica" e, em cinco anos, ela consome um terco do seu salario. Enquanto isso, os palacios ficam mais dourados, as comitivas mais cheias, e o contribuinte aprende que o unico recurso natural verdadeiramente inesgotavel neste pais e a criatividade do Estado para confiscar o que ainda nao existe.
A boa noticia: ha um limite. Quando o Estado tributa ate o ar, ele revela sua natureza. Nao e parceiro, nao e protetor, nao e pai. E parasita. E parasita que mata o hospedeiro morre junto. O Contribuinte que ri amargo no ultimo quadro ja entendeu o jogo. Falta apenas parar de pagar pela propria coleira.
A análise e opinião são do O Algoz.