A Taxa do Ar Respirado com Excesso de Entusiasmo

O fato gerador deixou de ser a renda, o consumo, o patrimonio. Agora qualquer movimento biologico vira hipotese de incidencia. Quando se esgotam as bases tradicionais, o cofre publico passa a olhar para o que ainda nao foi cercado, e o cerco se aperta sobre coisas que, ate ontem, ninguem ousaria precificar. O nome muda, a embalagem fica verde, sustentavel, solidaria, mas a operacao e sempre a mesma: transferir riqueza de quem produz para quem carimba.

Repare no padrao. Cria se uma urgencia moral artificial, clima, saude publica, seguranca, e em cima dela se ergue um tributo com nome bonito de tres letras. O dinheiro entra pelo cano largo da arrecadacao e sai pelo ralo fino da execucao. Follow the money: ele nao vai para floresta nenhuma, vai para folha de pagamento, para fundo partidario, para empresa amiga que vende relatorio de impacto. O cidadao paga a multa por respirar rapido demais enquanto corre atras do salario que A Inflacao ja derreteu antes do quinto dia util.

O mais grotesco nao e a taxa em si. E a naturalizacao. Em poucos meses ninguem mais pergunta se aquilo deveria existir, pergunta apenas qual a aliquota e se da pra parcelar. A Besta engorda no silencio de quem aprendeu a achar normal ser ordenhado. Resta ao Contribuinte a unica forma de protesto que ainda nao foi regulamentada: prender a respiracao ate o fiscal ir embora. A análise e opinião são do O Algoz.