Enquanto o Leviatã engorda, a criatividade fiscal do Brasil atinge patamares dignos de ficção distópica. Cada nova sigla de três letras que surge no Diário Oficial traduz a mesma equação antiga: o produtor trabalha, o intermediário carimba, e o pagador se curva. A desculpa muda de nome, mas follow the money: a receita sempre desagua no mesmo lugar, engordando a mesma máquina que jura estar falida.
Chamam de contribuição o que é confisco, de justiça social o que é redistribuição entre apadrinhados, e de responsabilidade ambiental o que é, no fim, mais um boleto. A cada ciclo, o cidadão descobre que respirar, morar, consumir, produzir e até existir passaram a ser fatos geradores. O absurdo vira rotina, a rotina vira lei, e a lei vira algema com verniz cívico.
Mas há algo que nenhum decreto consegue tributar: o desprezo silencioso de quem enxerga a farsa. O contribuinte brasileiro pode estar magro, endividado e exausto, mas continua contando os dias. E o dia em que a Besta cair, o riso será coletivo, e estranhamente barato.
A análise e opinião são do O Algoz.