Quando o orçamento não fecha, a criatividade fiscal floresce como praga. Toda vez que o Estado fala em "tributo verde", "contribuição solidária" ou "alíquota compensatória", o cidadão deveria conferir se ainda tem os bolsos, os rins e o ar dos pulmões. A lógica é sempre a mesma: gastou-se demais, prometeu-se demais, comprou-se voto demais, e a conta cai sempre no mesmo lugar, no mesmo bolso furado, no mesmo contracheque que já chegou esfarelado.
O truque do nome importa mais que o imposto em si. Chame de CIDE, de CBS, de IBS, de contribuição, de taxa regulatória, de cota ambiental, e a manada aplaude como se não fosse o mesmo confisco antigo com fantasia nova. Follow the money: cada novo tributo nasce para tapar o buraco do tributo anterior, que nasceu para tapar o buraco da gastança que nasceu para comprar a próxima eleição. Nenhum centavo arrecadado a mais jamais virou hospital, escola ou estrada. Virou cargo, virou diária, virou emenda, virou propina envernizada de legalidade.
O contribuinte brasileiro já trabalha cinco meses por ano só para sustentar o Leviatã. Quando ele finalmente entender que a única reforma tributária honesta começa com a palavra "menos", talvez sobre algum ar para respirar. Até lá, prenda o fôlego e prepare o boleto.
A análise e opinião são do O Algoz.
