Sala de reunião opulenta, lustre de cristal pingando suor. O ESTADO, gordo e suado dentro do terno escuro, capa vermelha pendurada na cadeira, mapa do Brasil derretendo na parede. Ventilador industria
ESTADO: "Senhores, o povo está com calor. Isso é inaceitável. Alguém está se refrescando sem pagar por isso."
Tela de projeção mostra gráfico com setinha pra cima e o título "CIDE-CLIMA: Contribuição de Intervenção no Domínio do Conforto Térmico". Um burocrata aponta com régua. A INFLACAO aparece atrás do Est
BUROCRATA: "Cada BTU de ar-condicionado pagará 27% sobre o uso, Excelência. É pelo planeta." INFLACAO: "E pela minha bolsa, amorzinho."
Apartamento minúsculo, paredes descascadas. O CONTRIBUINTE, magro, suado, camiseta encharcada, encara o aparelho de ar-condicionado lacrado com um adesivo gigante: "REGULARIZE-SE - RECEITA AMBIENTAL F
CONTRIBUINTE: "Deixa eu ver se entendi... pra eu não esquentar o planeta, eu tenho que torrar aqui dentro?"
Noite. O Estado em mansão refrigerada, taça de champanhe, três aparelhos de ar-condicionado soprando nele, capa vermelha esvoaçando no vento gelado, sorriso de orelha a orelha. Pela janela aberta, vê-
CONTRIBUINTE: "Engraçado como o aquecimento global só esquenta a casa de quem paga imposto."
O calor de 2026 bateu recordes e, junto com ele, a criatividade tributária do Leviatã. Toda vez que o termômetro sobe, surge um novo "tributo verde", uma nova "contribuição emergencial", uma nova sigla de três letras para extrair mais alguns reais do bolso de quem já não tem onde cair morto. A desculpa muda — clima, pandemia, guerra, inteligência artificial — mas o destino do dinheiro é sempre o mesmo cofre, e do cofre para os mesmos bolsos engomados.
A retórica é genial em sua perversidade. Cobra-se o pobre em nome do planeta enquanto a frota oficial blindada queima diesel subsidiado em comboio. Lacra-se o ar-condicionado do trabalhador "pela natureza" enquanto o palácio mantém 18 graus o ano inteiro. Chama-se isso de justiça climática, mas follow the money: o CO2 do andar de cima nunca aparece na conta. A conta vem sempre para baixo, sempre para quem produz, sempre para quem sua.
O cidadão já entendeu o truque, ainda que finja não ter entendido para sobreviver. Toda crise inventada é uma desculpa para mais um imposto permanente. Toda emergência temporária vira alíquota eterna. E enquanto o povo abre a janela "de graça", lá em cima alguém brinda com champanhe gelado e ri da própria piada. A análise e opinião são do O Algoz.
