O Imposto do Carbono Individual é a obra-prima do absurdo fiscal: a tributação do involuntário. Antes, taxavam o que você produzia. Depois, o que você consumia. Agora, taxam o que você é. A lógica é genial em sua perversidade: como ninguém pode parar de respirar, ninguém pode escapar do tributo. A base de cálculo é a própria existência humana, e o fato gerador é o batimento do diafragma.
Note o truque clássico travestido de virtude planetária. Enquanto o Soberano viaja em jatinhos para conferências sobre o clima, hospeda-se em resorts climatizados e mantém sua frota oficial blindada de qualquer pegada de carbono, o sujeito que pega ônibus lotado às cinco da manhã é o vilão da atmosfera. Follow the money: o dinheiro arrecadado em nome da Terra não vai para a Terra. Vai para o mesmo cofre de sempre, alimentar a mesma máquina de sempre, pagar os mesmos privilégios de sempre. A capa verde é só uma fantasia nova vestida sobre o terno preto de cobrador.
O mais cínico é a moralização do roubo. Não basta tirar seu dinheiro; é preciso convencê-lo de que você merece ter seu dinheiro tirado, porque você é culpado de respirar, de aquecer comida, de existir num corpo que metaboliza. Quando o Estado consegue transformar a biologia humana em pecado tributável, ele alcançou o sonho de todo tirano: súditos que pedem desculpas por estarem vivos.
A análise e opinião são do O Algoz.