Toda vez que o orçamento nao fecha, e nunca fecha, a resposta oficial vem embrulhada no mesmo papel de presente o "e pelo bem comum". Pelo clima, pela saude, pela seguranca, pela equidade, pela proxima geração. Qualquer substantivo abstrato serve, desde que justifique enfiar a mao no bolso de quem produz. O detalhe que ninguem comenta no horario nobre e que o gasto publico cresceu de novo, os privilegios da casta continuam blindados, e a conta, como sempre, desce na boleta de quem acorda cedo.

Follow the money e o exercicio mais subversivo que existe num pais como este. Quando voce segue o dinheiro do imposto novo, ele nunca para na escola da esquina, nem no posto de saude da rua de cima. Ele para em emendas, em estatais zumbis, em socorros bilionarios a bancos que "nao podem quebrar", em assessores fantasmas, em obras que viram monumento ao concreto inacabado. O contribuinte e tratado como fonte renovavel de energia tributaria enquanto a maquina queima combustivel como se fosse 1973.

O mais grotesco nao e o tributo em si. E a coreografia. Primeiro imprimem dinheiro, depois fingem espanto com a inflação que eles mesmos pariram, depois criam um novo imposto para "combater" o estrago, e por fim pedem aplauso pela responsabilidade fiscal. E um incendiario cobrando hora extra de bombeiro. Enquanto houver gente disposta a respirar fundo e pagar a conta calado, sempre havera um Leviatã de capa vermelha inventando o proximo medidor pra prender no seu nariz. A análise e opinião são do O Algoz.