Toda vez que a arrecadação dá um espirro, o Leviatã inventa uma nova "externalidade" para corrigir. Ontem foi a CIDE, hoje é a taxa verde, amanhã será o imposto sobre o oxigênio que você teve a audácia de inspirar sem autorização prévia da Receita. O truque é sempre o mesmo: vestir ganância de virtude. Quando o cofre range, descobre-se de repente que sua existência polui, sua respiração agride o clima, seu CEP emite carbono. A solução? Mais um boleto, claro.

Repare no follow the money: nenhuma dessas "taxas ambientais" planta uma árvore. Elas plantam cadeiras. Cadeiras de novos secretários, novos conselhos, novas agências, novas comissões interministeriais que se reúnem em hotéis cinco estrelas para discutir como o cidadão deve se sentir culpado por estar vivo. O dinheiro nunca volta para o ar. Volta para o terno. E o terno, gentil leitor, sempre tem mais um bolso vazio.

A piada cruel é que o único jeito legal de não pagar imposto neste país é, literalmente, parar de respirar. O Estado já transformou comer em fato gerador, dormir em base de cálculo presumida, andar na rua em hipótese de incidência. Falta pouco para o último suspiro virar declaração retificadora. Enquanto isso, o contribuinte aprende a virtude esquecida pelos burocratas: a sonegação heroica de quem simplesmente se recusa a alimentar a Besta. A análise e opinião são do O Algoz.