Quando um governo gasta mais do que arrecada por decadas seguidas, ele nao tem duas saidas. Tem tres, e todas sao a mesma: tirar mais do mesmo bolso. Imprimir dinheiro (a inflacao cobra o pedagio invisivel), tomar emprestado (o filho paga) ou inventar tributo novo com nome bonito. Toda vez que aparece uma sigla nova com a palavra contribuicao, verde, solidaria ou temporaria, o cidadao deveria ouvir o som de uma tesoura abrindo perto do seu pescoco financeiro.

O argumento eh sempre o mesmo: combater a desigualdade, salvar o clima, financiar a saude, proteger a crianca. Mas siga o dinheiro. Ele nao vai para o hospital, nao vai para a escola, nao vai para a estrada. Vai para a folha de pagamento de quem inventou o imposto, para o juro da divida que ninguem contraiu, e para os amigos do rei que sabem onde fica o guiche certo. O Estado nao tributa para servir. Tributa para existir. E quanto mais ele existe, menos sobra de voce.

A tira de hoje exagera, claro. Ninguem vai cobrar imposto sobre respiracao. Provavelmente. Mas ha vinte anos parecia exagero falar em imposto sobre PIX, sobre encomenda de fora, sobre dividendo, sobre patrimonio que ja foi tributado tres vezes. O absurdo de hoje eh o projeto de lei de amanha. A analise e opiniao sao do O Algoz.