Enquanto o noticiario discute a nova fronteira da arrecadacao e o Congresso aprova mais uma "contribuicao temporaria" que ja nasce eterna, o cidadao comum descobre o obvio que todo regime fiscal voraz tenta esconder: nao existe mais o que taxar sem taxar o proprio ato de existir. Quando o Estado esgota o patrimonio, o consumo, a renda, a heranca e ate a transmissao do que sobrou, o passo seguinte e literalmente cobrar pelo ar. A fabula da "justica tributaria" cai por terra quando se entende que justica, para o Leviata, e sinonimo de caixa.
Follow the money: cada nova sigla, cada novo "ajuste fiscal", cada "contribuicao solidaria" nao financia escola, hospital ou seguranca. Financia o proprio aparato que existe para criar mais contribuicoes. Burocrata contrata burocrata, regulador regula regulador, e a conta vai para o sujeito magro da fila. A inflacao entra como socia silenciosa: enquanto o Estado imprime, o salario do contribuinte derrete, e o mesmo Estado que causou o incendio vende extintor com aliquota de 27,5%.
O contribuinte brasileiro ja trabalha mais de cinco meses por ano so para pagar tributos, e ainda assim e tratado como sonegador presumido ate prova em contrario. A linha entre cidadao e gado leiteiro fica mais tenue a cada Medida Provisoria. Resta uma certeza desconfortavel: o unico imposto que o Estado nao consegue cobrar e o da propria irrelevancia, e e exatamente esse que precisamos comecar a pagar com urgencia. A analise e opiniao sao do O Algoz.
