O ano e 2026 e o Brasil amanhece com mais uma reforma tributaria prometendo simplificar o sistema ao mesmo tempo em que cria tres novos tributos, quatro contribuicoes setoriais e uma "taxa de transicao" que, pelo visto, nunca transiciona. A desculpa da vez veste verde: sustentabilidade, meta climatica, ESG. Traduzindo do burocrates para o portugues: precisamos arrecadar mais, e descobrimos que voce ainda respira.

O roteiro e sempre o mesmo. Primeiro cria-se uma emergencia — climatica, sanitaria, social, digital, tanto faz. Depois monta-se um conselho de notaveis pagos com dinheiro publico para declarar que a emergencia exige acao estatal urgente. Em seguida, vem a "contribuicao provisoria" que vira permanente, o orgao regulador que vira ministerio, o ministerio que vira empreguismo. No final da cadeia, sempre no final, esta o mesmo sujeito: o cidadao que produz, trabalha, empreende e paga. Follow the money: ele sai do seu bolso, atravessa tres andares de carimbos, e estaciona na conta de alguem que nunca gerou um centavo de riqueza na vida.

Mas ha uma boa noticia escondida no fundo desse quadro grotesco. Todo sistema parasitario depende de um hospedeiro vivo. Quando o parasita fica ganancioso demais, o hospedeiro para de alimenta-lo — informaliza, migra, desiste, resiste. O Estado pode decretar imposto sobre o ar, sobre a sombra, sobre o silencio. Mas nao consegue decretar producao. Essa ainda depende de gente disposta a acordar cedo. E essa gente, senhores, esta cansada. A analise e opiniao sao do O Algoz.