Toda vez que a meta fiscal estoura, o ritual se repete com a pontualidade de um relógio suíço quebrado para o lado errado: aparece uma "contribuição temporária", uma "compensação setorial", uma "alíquota de calibragem". O nome muda, a mão no bolso é a mesma. Em 2026 já taxaram remessa internacional, plataforma digital, compra fracionada, dividendo, e agora discutem mexer no que sobrou da poupança de quem ainda tem alguma. Follow the money: o dinheiro nunca falta para o Leviatã, falta para quem produz. O orçamento federal cresce em ritmo de tumor, e a "responsabilidade fiscal" virou piada interna do andar de cima.
O ponto que ninguém quer encarar é simples e brutal: não existe gasto público sem confisco privado. Cada palácio reformado, cada emenda parlamentar, cada estatal zumbi sustentada por décadas é pago com pedaços da vida de alguém que acordou cedo. Quando o Estado promete "justiça social" via mais imposto, o que ele entrega é justiça vertical: quem trabalha sustenta quem manda. A inflação, que é o imposto mais covarde de todos porque ninguém vota nela, faz o resto do serviço enquanto o cidadão ainda agradece o salário mínimo "reajustado".
A tira de hoje é exagero? É. Mas é o tipo de exagero que envelhece bem. Há vinte anos, taxar mensagem de celular era piada. Há dez, taxar streaming era teoria da conspiração. Hoje é boleto. O absurdo de amanhã está sendo redigido agora, em letra miúda, num gabinete onde ninguém respira o ar que cobra. A análise e opinião são do O Algoz.
