Salao pomposo com cortinas vermelhas rasgadas. O ESTADO, obeso, de terno preto e capa vermelha esvoacante, esta em cima de um palanque dourado segurando um pergaminho gigante com selo oficial. Atras d
O ESTADO: "Cidadaos! Em nome do PLANETA e das FUTURAS GERACOES, institui-se a CRC: Contribuicao sobre a Respiracao de Carbono! Cada expiracao sera taxada em 0,37 centavos!"
Cozinha apertada e mal iluminada. O CONTRIBUINTE, magro, olheiras profundas, camiseta furada, esta sentado a mesa encarando uma folha de papel timbrada da Receita. Ao lado, um medidor de respiracao pr
CONTRIBUINTE: "Filho... solta o ar. A multa por sonegacao respiratoria e maior que o imposto." CRIANCA (bochechas estufadas): "mas paaai..."
Salao de festas luxuoso. O ESTADO brinda com A INFLACAO (mulher elegante, vestido vermelho derretendo tudo ao redor, sorriso cruel) tacas gigantes de champanhe. Ao fundo, atraves de uma janela, helico
O ESTADO: "A beleza, minha cara, e que ninguem pode parar de respirar em protesto!" A INFLACAO (rindo): "E os que pararem, param de votar tambem. Genial."
Close devastador no CONTRIBUINTE sentado na calcada ao amanhecer, ao lado do medidor quebrado no chao. Ele tem um sorriso cansado, quase sereno, e olha diretamente para o leitor. No fundo, o palacio d
CONTRIBUINTE: "Eles taxaram tudo que entra, tudo que sai, tudo que sobra. So esqueceram de uma coisa... o ultimo suspiro ninguem cobra. E e nele que a gente decide parar de pagar."
O Brasil de 2026 virou um laboratorio de criatividade tributaria. Enquanto o dolar flerta com patamares historicos, a carga tributaria bate recordes e novos "ajustes fiscais" aparecem com a mesma frequencia de amanheceres, o discurso oficial se reveste de virtude ambiental, social, sanitaria, qualquer fantasia que justifique enfiar a mao no bolso alheio. A taxacao de dividendos, o imposto minimo global, a regulamentacao das big techs, o DREX programavel que permite congelar seu dinheiro remotamente: tudo vendido como modernizacao, tudo na verdade aperto de torno.
A logica e sempre a mesma. Follow the money: o Estado nao arrecada para financiar o planeta, a crianca pobre ou a viuva desamparada. Arrecada para financiar a si mesmo, seu exercito de apaniguados, suas emendas secretas, seus jatinhos oficiais e suas aposentadorias principescas. A narrativa ecologica, humanitaria ou tecnologica e apenas o verniz moral sobre um mecanismo antigo como o mundo: quem tem o monopolio da forca cobra pedagio sobre tudo que se move, e quando nada mais se move, cobra sobre o que respira.
A unica defesa que resta ao cidadao e intelectual antes de ser pratica. Reconhecer que cada novo tributo nao e sacrificio, e confisco, cada nova regulacao nao e protecao, e coleira, cada promessa de redistribuicao nao e justica, e compra de voto com o dinheiro de quem trabalha. O dia em que o Contribuinte parar de pedir permissao para existir sera o dia em que a Besta comecara a emagrecer. A analise e opiniao sao do O Algoz.