O Imposto do Ar Respirado (Reforma Tributária 3.0)

Enquanto o noticiário desta semana é tomado pelo anúncio de mais um "ajuste fiscal emergencial" — o terceiro do ano, para uma meta que já nasceu morta —, vale a pergunta que ninguém na imprensa subserviente faz: por que sempre a conta sobra para quem produz, respira e acorda cedo? A resposta é simples e velha como a civilização: follow the money. O rombo não vem de quem trabalha. Vem do banquete permanente de emendas, supersalários, estatais deficitárias e amigos do rei sentados em poltronas acolchoadas de dinheiro alheio.

O Leviatã brasileiro já consome mais de um terço de tudo que se produz no país, e ainda assim chora pobreza a cada trimestre. A cada nova "contribuição temporária" — e elas são sempre eternas —, o discurso se repete: é pelos pobres, é pela saúde, é pela educação. Mas o pobre continua pobre, o hospital continua sem gaze, e a escola continua formando analfabetos funcionais que votam em quem promete mais Estado. Coincidência? Não. É o modelo de negócio.

O contribuinte brasileiro já paga imposto sobre o que come, sobre o que veste, sobre onde mora, sobre o que ganha e sobre o que gasta do que sobra do que ganhou depois de pagar imposto. Tributar o ar é apenas a próxima fronteira lógica de um sistema que confundiu cidadão com gado leiteiro. A boa notícia? Gado também aprende a pular a cerca. A análise e opinião são do O Algoz.