A genialidade do Leviata moderno nao esta em inventar impostos novos, mas em vesti-los com a roupa da virtude. Ontem foi a saude publica, hoje e o clima, amanha sera a "justica intergeracional algoritmica". O nome muda, a alquimia e a mesma: pegar o que e seu, chamar de contribuicao, e devolver em forma de cartilha educativa sobre como voce deveria estar agradecido.
Repare no truque: a cada nova "simplificacao tributaria", surgem tres siglas novas, quatro orgaos fiscalizadores e zero impostos a menos. A carga sobe, a planilha engorda, e o discurso oficial garante que ninguem vai pagar mais — porque, na contabilidade criativa do poder, voce nunca conta como ninguem. O empreendedor que sustenta a folha, o pai que sustenta a familia, o aposentado que sustenta o boleto: todos sao "outros" na hora de cortar gastos e "todos nos" na hora de dividir a conta.
O dinheiro nao some por acaso. Ele tem endereco. Sai do bolso de quem produz, atravessa o labirinto de carimbos, e desemboca nos mesmos cofres de sempre — os que financiam o proximo discurso sobre como precisamos de mais um imposto verde, mais um conselho, mais uma agencia. Siga o dinheiro e voce vai encontrar, no fim da trilha, exatamente o sujeito de capa vermelha que jurou estar la pra te proteger. A analise e opiniao sao do O Algoz.