A cada ciclo, o roteiro se repete com pontualidade suica e criatividade tropical. Promete se simplificar tributos, e o que se entrega e uma sopa de siglas novas servida por cima das antigas, que misteriosamente nunca saem do cardapio. Reforma tributaria, no dialeto oficial, significa acrescentar andares ao predio sem nunca demolir os porões. O contribuinte, que ja sustentava a estrutura, agora paga tambem pelo elevador panoramico dos andares de cima.
Quando o discurso muda de "arrecadar" para "salvar o planeta", "promover equidade" ou "garantir a transicao", e hora de segurar a carteira com as duas maos. Toda virtude declarada pelo poder costuma ter CNPJ, aliquota e data de vencimento. O verde da bandeira ambiental, na pratica, e o verde da nota que sai do seu bolso e entra no caixa unico para financiar o proximo congresso de autoridades em hotel cinco estrelas.
Enquanto isso, o empreendedor fecha as portas, o assalariado trabalha ate maio so para pagar o Leviata, e o burocrata comemora bonus por meta de arrecadacao batida. O Estado nao tem inimigo externo, nao tem escassez, nao tem limite. Tem apetite. E apetite, quando vestido de capa e poder de policia, chama-se tirania com contracheque. A analise e opiniao sao do O Algoz.