O Pix nasceu como milagre privado disfarçado de política pública: transferência instantânea, de graça, no bolso de qualquer um com um celular pré-pago. Foi bom demais para durar. Quando o cidadão comum começou a rachar pizza, pagar o mecânico da esquina e sustentar a economia informal sem pedir licença, algo sagrado foi violado: o monopólio do Leviatã sobre saber onde está cada centavo seu.

A conversa agora é sobre "modernizar", "combater fraudes", "proteger o consumidor". Traduzindo do dialeto oficial para o português: taxar, vigiar e punir. Cada novo relatório técnico, cada nova "consulta pública" de fachada, cada sigla inventada em reunião fechada aponta para o mesmo lugar — o seu extrato. Follow the money: o Estado não está preocupado com o golpista do WhatsApp, está preocupado com o garçom que recebeu gorjeta sem CNPJ, com o motorista de app que pagou o aluguel, com a manicure que comprou material sem emitir cupom. O crime, aqui, é sobreviver fora do radar.

Cada vez que o Soberano promete "não vai mexer no Pix", anote a data. É exatamente o tempo que falta para mexerem. A burocracia não tem limite natural de apetite: ela cresce até encontrar resistência, e recua apenas quando o custo de engolir fica maior que o prazer de mastigar. Enquanto o contribuinte continuar batendo palma para cada "facilidade" entregue pelo mesmo sujeito que vai cobrar pedágio por ela amanhã, a piada vai se repetir — só muda a sigla. A análise e opinião são do O Algoz.