O PIX VIROU IMPOSTO (E VOCÊ AGRADECEU)
QUADRO 1

Sala escura de mármore. O ESTADO, obeso, terno preto e capa vermelha, segura um celular gigante com o símbolo do PIX brilhando como um diamante. Atrás dele, uma fileira infinita de BUROCRATAS clones d

O ESTADO: "Senhores, descobrimos a galinha dos ovos de ouro... e ela cabe no bolso de cada servo!"

QUADRO 2

Padaria de bairro. O CONTRIBUINTE, magro, olheiras profundas, paga R$ 8 num pão de queijo via PIX. Do celular salta uma mãozinha gorda com anel de rubi (a mão d'O ESTADO) que arranca uma nota do app.

PADEIRO: "Foi 8, agora é 12, e o governo já levou 3." CONTRIBUINTE: "E o pão de queijo?" PADEIRO: "Esse virou patrimônio cultural tributável."

QUADRO 3

Coletiva de imprensa. O ESTADO no púlpito, sorriso de orelha a orelha, capa esvoaçando. Atrás dele, um telão: "TAXA DE MOVIMENTAÇÃO SOLIDÁRIA — 0,38% POR PIX (POR ENQUANTO)". Jornalistas BUROCRATAS ap

O ESTADO: "Não é imposto! É CONTRIBUIÇÃO VOLUNTÁRIA COMPULSÓRIA DIGITAL. Quem é contra, é contra os pobres." JORNALISTA BUROCRATA: "Genial, Excelência! Como o senhor pensa em tudo?"

QUADRO 4

Noite. O CONTRIBUINTE, encostado num poste, conta moedas na palma da mão sob a luz fraca. Ao fundo, um outdoor gigante d'O ESTADO sorrindo: "OBRIGADO POR FINANCIAR SEUS SONHOS". O CONTRIBUINTE olha pr

CONTRIBUINTE: "Inventaram o dinheiro instantâneo pra roubar instantaneamente. Antes eu levava três dias úteis pra ser saqueado. Isso sim é progresso."

Toda vez que surge uma tecnologia que devolve um pedaço de liberdade ao cidadão, o Leviatã aparece com a mão estendida e o sorriso de sócio que ninguém convidou. O PIX foi vendido como modernidade gratuita, eficiência pública, milagre tropical. Era apenas o aperitivo. Agora que cada brasileiro depende do sistema para comprar pão, pagar aluguel e dividir a conta do bar, chega a parte previsível do roteiro: a taxação. Sempre foi essa a finalidade. Infraestrutura estatal não é presente, é isca.

O argumento é sempre o mesmo figurino reciclado: "é pouquinho", "é só nos ricos", "é pela justiça social". Depois vira CPMF com outro nome, depois vira alíquota cheia, depois vira retenção na fonte, depois vira crime não pagar. Follow the money: cada centavo extraído do seu PIX não financia hospital nem escola, financia a próxima eleição, o próximo cargo comissionado, o próximo jatinho oficial decolando enquanto a padaria fecha. O Estado não tem dinheiro próprio, ele só tem o seu.

E o mais grotesco: aplaudem. Chamam de avanço o que é apenas o velho confisco com interface mais bonita. Enquanto a moeda derrete e a maquininha do empreendedor pega fogo, o cidadão é convencido de que está participando de algo nobre ao ver sua transferência mutilada em tempo real. Não está. Está apenas alimentando a Besta com mais agilidade do que nunca. A análise e opinião são do O Algoz.