O argumento sempre vem embrulhado no mesmo papel de presente "vamos pegar os ricos sonegadores". Mas quando a poeira assenta, quem esta na fila do paredao fiscal nunca e o dono do jatinho com estrutura societaria em tres continentes. E a manicure que recebeu R$ 80 pelo servico, o motoboy que rachou a corrida, a avo que mandou R$ 50 para o neto no aniversario. Follow the money: o grande capital tem exercito de tributaristas; o povo tem WhatsApp e medo.
Cada nova camada de vigilancia financeira e vendida como tecnica, moderna, civilizatoria. Na pratica, e o velho instinto soberano de saber onde voce gasta, com quem voce gasta e por que voce gasta, para depois decidir se voce gastou demais ou de menos. O dinheiro digital programavel nao foi inventado para te servir foi inventado para te obedecer. E o detalhe sinistro: ninguem pediu isso. Nenhum cidadao comum acordou clamando por mais transparencia sobre o proprio cafezinho.
A boa noticia e que toda tirania financeira tem um inimigo silencioso e ancestral, que nao precisa de servidor, de senha, nem de aprovacao do Banco Central: a cedula amassada no bolso, a moeda no fundo da gaveta, a economia paralela que floresce exatamente na proporcao em que o Estado aperta. Quando o Leviatã decide que cada centavo e dele, o povo redescobre que liberdade tambem cabe num bolso furado. A análise e opinião são do O Algoz.