"Reforma Tributária: Agora São Só 5.000 Páginas"

A maior fraude linguística do século não foi cometida por nenhum estelionatário de esquina. Foi cometida por quem controla o dicionário oficial. Chamaram de "simplificação" um sistema que exige mais páginas de regulamentação do que o anterior, mais exceções do que regras, e uma fase de transição tão longa que nossos netos ainda estarão pagando consultoria tributária para entender o que aconteceu.

O truque é velho: muda-se o nome dos impostos, reorganiza-se a estrutura, faz-se uma coletiva de imprensa bonita e, no final, a alíquota combinada continua entre as maiores do planeta. O contribuinte, que já estava de joelhos, agora precisa contratar um novo exército de especialistas para decifrar o que antes pelo menos já havia decorado na dor. A burocracia não diminuiu. Ela ganhou um rebrand. O split payment promete "facilitar", mas na prática significa que o Estado enfia a mão no seu bolso em tempo real, antes mesmo de você ver a cor do dinheiro. A tecnologia finalmente chegou ao fisco. Não para te servir, claro. Para te vigiar melhor.

Enquanto isso, o pequeno empreendedor, aquele que sustenta a economia de verdade, continua sendo tratado como suspeito até que prove o contrário, num país onde provar inocência ao fisco custa mais do que o próprio imposto. Follow the money: quando alguém promete que vai simplificar a sua vida sem abrir mão de um centavo da arrecadação, não é simplificação. É reembalagem.

A análise e opinião são do O Algoz.