"Simplificação Tributária: Agora Com Mais Etapas"

Cinco viram dois. Dois custam mais que cinco. A reforma tributária brasileira é o maior espetáculo de ilusionismo fiscal já montado. O truque é antigo: muda o nome, muda a sigla, faz coletiva de imprensa, e a conta continua a mesma — ou pior. A alíquota combinada de IBS e CBS caminha para ser uma das mais altas do planeta em imposto sobre consumo. Mas o cartaz diz "simplificação", então está tudo bem.

O empreendedor que já não dormia por causa do ICMS agora precisa entender split payment, períodos de transição sobrepostos, regimes específicos, exceções das exceções e um comitê gestor que ninguém elegeu. A burocracia não diminuiu. Ela ganhou um rebrand. É como trocar as algemas de ferro por algemas de titânio e chamar de "modernização penitenciária". Enquanto isso, o pequeno negócio que sustenta a economia real calcula se vale mais a pena fechar as portas ou mudar de país. A resposta, para um número cada vez maior, é a segunda opção.

O Estado prometeu simplificar. Entregou complexidade com grife nova. Quem paga — como sempre — é quem produz. E quando o último empreendedor apagar a luz, os burocratas ainda estarão lá, carimbando formulários no escuro.

A análise e opinião são do O Algoz.