A ArcelorMittal bateu máxima de 52 semanas a 71,48 dólares e a manchete passou quase despercebida, escondida entre os relatórios de banco que ninguém lê. Pois deveria ser lida em voz alta nas universidades onde se ensina que o aço é commodity ultrapassada, que a indústria pesada é coisa de país atrasado, que o futuro é serviço, aplicativo e nuvem. O mercado, esse senhor inconveniente que nunca pediu licença para ninguém, está dizendo o contrário com uma clareza que nenhum think tank consegue silenciar.

Quem comprou ação de siderúrgica há doze meses foi tratado como excêntrico, talvez nostálgico, no máximo um curioso de museu industrial. Os mesmos analistas que recomendavam fundos temáticos de transição energética agora descobrem, com cara de quem nunca viu, que turbina eólica precisa de aço, que carro elétrico precisa de aço, que linha de transmissão precisa de aço, que data center precisa de aço, e que a tal economia descarbonizada consome mais metal pesado do que qualquer fábrica do século passado. A realidade, quando teimam em fingir que não existe, cobra os juros atrasados de uma vez só.

Siga o dinheiro e a história fica ainda mais saborosa. Enquanto governos europeus subsidiam a fantasia da indústria verde com dinheiro do contribuinte, e enquanto Brasília tenta convencer o eleitor de que vai reindustrializar o país com BNDES, Nova Política Industrial e crédito direcionado, a ArcelorMittal simplesmente faz o trivial, produz, vende, gera caixa e remunera quem assumiu risco. Não pediu MP, não pediu desoneração casada com contrapartida, não posou para foto com ministro. O preço da ação subiu porque alguém, em algum lugar, precisa de aço de verdade para construir coisa de verdade, e nenhum decreto consegue alterar essa equação.

Há aqui uma lição que o burocrata de plantão nunca aprende, por mais que a curva de preço grite na cara dele. Capital migra para onde encontra propósito produtivo, não para onde o governo deseja que ele vá. Quando a tesoura monetária aperta nos países sérios, quando o juro alto começa a separar projeto real de projeto subsidiado, sobra o que tem fluxo de caixa, ativo tangível e demanda inescapável. O resto vira pó, junto com as apresentações de PowerPoint sobre o futuro que nunca chega.

E sobra também o desconforto para o Brasil, esse país que insiste em discutir reforma tributária bizantina enquanto sua siderurgia briga com importação chinesa subsidiada e com energia cara fabricada por escolha política, não por escassez natural. A ArcelorMittal subindo no mundo é também o espelho do que poderíamos ter se parássemos de tratar o produtor como suspeito e o regulador como salvador. Não é nostalgia de chaminé, é matemática elementar. Quem produz o aço produz a infraestrutura, e quem produz a infraestrutura escreve o próximo capítulo da história econômica, queira o ministério ou não.

O recado do pregão é cristalino para quem tem ouvidos de ouvir. Enquanto o discurso oficial insiste que o mundo gira em torno de planos plurianuais e metas climáticas decretadas em conferência, o capital, sempre mais honesto que o comunicado, vota com os pés e compra o metal que segura o telhado. O resto é literatura para enganar contribuinte.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.