A ação da Chevron fechou em US$ 214,85, recorde absoluto na história da companhia. Não é detalhe de rodapé para trader, é sentença. Enquanto uma classe inteira de consultores, gestores de fundos ESG, comissários europeus e ministros brasileiros gastou a última década anunciando o funeral do petróleo, o próprio mercado, que agrega em tempo real a informação dispersa de bilhões de decisões humanas, precificou o oposto. E o preço, esse sinal que nenhum burocrata consegue falsificar por muito tempo, disse que hidrocarboneto continua sendo o esqueleto invisível da civilização industrial.
Olha, é bonito o discurso da transição energética até o momento em que você desliga a turbina eólica e precisa aquecer uma casa em janeiro. A Europa aprendeu isso do jeito mais caro possível, comprando gás russo por baixo do pano depois de ter jurado, em cerimônia, que jamais faria tal coisa. A Alemanha desligou usinas nucleares que funcionavam para queimar mais linhita, aquele carvão sujíssimo, enquanto dava lição de moral no resto do planeta. Toda intervenção gera distorção, cada distorção gera nova demanda por intervenção, e no fim do labirinto quem paga a conta é sempre o sujeito comum que só queria acender a luz sem hipotecar o salário.
Quer dizer, siga o dinheiro e você entende o teatro. Os fundos que juraram desinvestir em petróleo por questões de consciência planetária estão hoje comprando ação de Chevron, Exxon, Shell, porque fiduciário que perde dinheiro por virtude ideológica vira réu em ação de acionista minoritário. O selo verde era propaganda; o balanço é confissão. A mesma classe dirigente que subsidiou parque solar com dinheiro extraído à força do contribuinte via imposto agora aplaude o dividendo generoso pago pela empresa que ela publicamente demonizava. Compadrio é isso, um jogo em que a plateia paga o ingresso e ainda leva a fatura do camarim.
O que se vê é o recorde da ação estampado no terminal Bloomberg. O que não se vê é o custo acumulado de uma década de política energética construída sobre voluntarismo. Não se vê a fábrica alemã que fechou porque não aguentou a conta de energia. Não se vê o brasileiro que paga combustível caríssimo em um país que boia sobre reservas do pré-sal, sabotado por tributação canibal e por uma estatal usada como caixa eleitoral desde sempre. Não se vê a inflação de alimentos, porque comida se planta com diesel, se transporta com diesel, se refrigera com energia que, no fim da linha, veio de alguma coisa que queima. Riqueza não se decreta em conferência climática, se extrai da terra com trabalho, capital e tecnologia.
E aqui mora a lição que ninguém quer ouvir. O mercado não é malvado nem bonzinho, é apenas o único mecanismo capaz de descobrir, em meio ao caos de preferências humanas, o que efetivamente tem valor para as pessoas de verdade, não para os personagens abstratos dos relatórios de sustentabilidade. Quando o preço da Chevron sobe a recorde histórico enquanto governos ocidentais gastam trilhões para acelerar a transição verde, o que está ocorrendo é um julgamento silencioso, técnico, implacável. O planejador central chutou no escuro com o dinheiro dos outros, o consumidor pagou o preço, e o capital, que enxerga onde a política finge não ver, fez o que sempre faz: migrou para onde há retorno real.
A festa do petróleo não voltou porque alguém torceu por ela. Voltou porque nunca tinha ido embora, apenas fora escondida debaixo do tapete retórico. A ação em US$ 214,85 é a fatura discreta que a realidade sempre entrega quando a fantasia dura tempo demais.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.