A Extreme Networks, fabricante americana de equipamentos de rede, tocou US$ 25,13 e estabeleceu nova máxima de 52 semanas. Não houve plano plurianual, não houve subsídio bilionário, não houve ministro batendo na mesa exigindo "política industrial". Houve uma coisa só, que insiste em funcionar apesar de todos os esforços contrários: pessoas livres, comprando e vendendo papel com o próprio dinheiro, ajustando minuto a minuto o preço daquilo que acham que a empresa vale. É o sistema mais democrático já inventado, e justamente por isso desperta tanto ódio em quem prefere democracia decretada de cima.
Vale lembrar o óbvio que costuma escapar a quem só lê manchete: preço de ação não é prêmio de bom comportamento, é informação condensada. Cada centavo daquele US$ 25,13 carrega expectativa sobre demanda de switches, sobre margem de software, sobre a capacidade da companhia de continuar entregando resultado num setor que muda de pele a cada dezoito meses. Tente substituir esse mecanismo por um comitê de notáveis decidindo "o preço justo" e você terá, em poucos anos, ou fila ou estoque parado, normalmente os dois ao mesmo tempo. O preço é o sinal, e o sinal nasce da escolha individual; quem mata o sinal mata a economia.
É curioso, aliás, observar a reação automática de certa imprensa econômica quando uma empresa de tecnologia americana atinge recorde. Vem o lamento sobre "nossa bolsa que não anda", como se o problema fosse falta de patriotismo do investidor brasileiro, e não a soma de carga tributária esquizofrênica, insegurança jurídica crônica e juro real que faz qualquer renda variável parecer aventura. O capital não foge do Brasil por má vontade; foge porque foi tratado como suspeito, taxado como inimigo e regulado como criança. Onde se respeita propriedade, capital se acumula; onde se confisca a cada eleição, evapora.
Siga o dinheiro e a história fica mais clara ainda. A Extreme não enriqueceu vendendo para um governo único que decidiu "fomentar campeão nacional de redes"; enriqueceu vendendo para milhares de clientes corporativos que escolheram o produto dela em vez do concorrente. Cada venda, um voto. Cada upgrade trimestral, uma reeleição. Esse plebiscito permanente é o que separa empresa viva de estatal zumbi mantida no respirador do contribuinte. Quando o governo quer "ajudar", costuma escolher o caminho oposto: garante mercado cativo, fecha competição, e em três mandatos produz exatamente o que se podia prever, monopólio caro e produto ruim.
Há também a lição que ninguém da turma do gasto público quer ouvir. A valorização que se vê ali, na tela do home broker, vem acompanhada de uma multidão de coisas que não se veem: os empregos que existem porque alguém arriscou capital próprio, os fornecedores menores que vivem da cadeia, a poupança do aposentado que cresceu sem precisar pedir esmola ao Tesouro. Toda vez que se propõe uma nova taxação sobre ganho de capital, sobre dividendos, sobre "os ricos da bolsa", o que se está cortando, na verdade, é exatamente esse tecido invisível que sustenta a parte produtiva do país. Mata-se a galinha e depois se reclama da falta de ovo.
No fim das contas, US$ 25,13 não é só número. É lembrete incômodo de que a riqueza não brota de canetada, não nasce de plano quinquenal e não obedece a discurso de palanque. Brota de empresa que entrega, de cliente que paga, de investidor que arrisca e de moeda que não é corroída por impressora. Tudo o que o Estado precisa fazer para que isso aconteça é, basicamente, sair do caminho. Curiosamente, é a única tarefa que ele se recusa terminantemente a cumprir.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.