O papel da IHS Holding tocou US$ 8,39 e ninguém no andar nobre da Faria Lima quer comentar. É curioso, não? Uma empresa que opera mais de quarenta mil torres em mercados que o investidor médio brasileiro considera "arriscados demais", Nigéria, África do Sul, Brasil inclusive, entrega uma máxima de 52 semanas enquanto o noticiário daqui se entretém com a próxima medida provisória que vai "destravar o crédito". Quer dizer, destravar o crédito de quem, exatamente? Porque o capital, esse animal arisco, já decidiu sozinho onde quer pastar, e não foi nos balcões do BNDES.
Olha, infraestrutura de torres é um negócio chato. Você ergue o aço, aluga o espaço para as operadoras, e cobra todo mês. Não há mágica, não há promessa de disrupção, não há CEO de moletom prometendo revolucionar o mundo. Há contrato de longo prazo, escala e disciplina de capital. E é justamente esse tipo de ativo, previsível e tangível, que o mercado redescobre quando começa a desconfiar das promessas de governos endividados. Quando o papel-moeda perde credibilidade, o investidor procura cimento, aço, terra e fluxo de caixa em dólar. A IHS oferece os quatro.
Me diz uma coisa: por que uma empresa listada em Nova York, operando em mercados emergentes considerados periféricos, valoriza enquanto teses sofisticadíssimas de bancos europeus naufragam? A resposta incomoda os planejadores. Ela valoriza porque opera em economias onde o Estado ainda não conseguiu sufocar completamente a demanda por serviços básicos. Toda vez que um nigeriano compra um chip pré-pago, está votando, com o próprio bolso, contra a tese de que o desenvolvimento precisa ser orquestrado por algum ministério iluminado. A torre está lá porque o consumidor quis, não porque um burocrata decretou.
O Brasil, aliás, é um dos mercados da IHS, e ninguém aqui se anima a celebrar isso. Faz sentido. Celebrar uma empresa que prospera apesar da carga tributária brasileira, apesar do labirinto regulatório das agências, apesar do custo absurdo de capital fabricado pela própria Selic, seria reconhecer que o motor da prosperidade nunca foi o Estado. Foi o sujeito que aceitou enterrar dinheiro em concreto na esperança de receber aluguel daqui a vinte anos. Esse tipo de aposta, na visão dos planejadores, deveria ser feita por estatal, com dinheiro de imposto, e supervisionada por comitê interministerial. O resultado dessa lógica está nos cemitérios de obras paradas espalhados pelo país.
Tem ainda o detalhe delicioso que ninguém comenta: a máxima da IHS acontece em meio à conversa global sobre "soberania digital", essa expressão fofa que os governos usam quando querem justificar a próxima rodada de regulação sobre infraestrutura de telecom. Enquanto burocratas em Brasília, Bruxelas e Pretória debatem como controlar as torres, alguém em Lagos está pagando o aluguel que faz o papel subir em Nova York. A realidade tem um jeito teimoso de seguir adiante enquanto os comitês ainda redigem a ata da reunião anterior.
No fim das contas, a máxima de 52 semanas da IHS não é uma curiosidade de tabela de cotações. É um recado. O capital migra para onde encontra contrato cumprido, demanda real e governo distante o suficiente para não atrapalhar todos os dias. Cada vez que um ativo desse tipo sobe, está dizendo, com a clareza que só os preços têm, que a próxima geração de riqueza não nascerá das mesas dos planejadores, mas das torres erguidas por quem ainda acredita que vale a pena construir algo que dure mais que um mandato.
Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.