A Marsh & McLennan, aquela empresa que vive de medir o risco alheio e vender apólice para tudo que se mexe no planeta, viu sua ação despencar até US$ 158,13, o pior nível em cinquenta e duas semanas. Quer dizer, a corretora dos corretores, o oráculo do risco corporativo global, foi parar no chão. E o curioso é que a imprensa econômica trata isso como se fosse meteorologia financeira, uma frente fria passageira, quando na verdade é sintoma de algo bem mais profundo que ninguém quer nomear em voz alta.

Olha, empresa de seguro e consultoria de risco não cai assim do nada. Ela cai quando o mercado começa a desconfiar que o modelo de precificação de risco do mundo inteiro está errado, e quando o modelo está errado, é quase sempre porque alguém andou mexendo no termômetro. E quem anda mexendo no termômetro há quinze anos, com juros artificialmente esmagados, liquidez injetada na veia e regulação prudencial que premia quem se ajoelha para o regulador, todo mundo sabe quem é. Não foi o livre mercado que criou essa bolha de risco mal precificado. Foi o cartel dos bancos centrais e seus primos de Basileia.

Me diz uma coisa, quando o juro real fica negativo por uma década inteira, o que acontece com o cálculo atuarial de uma seguradora? Acontece que a reserva técnica vira pó, o portfólio de renda fixa que sustentava as apólices não rende nada, e a empresa é empurrada para ativos cada vez mais arriscados só para manter a aparência de solvência. Isso não é livre iniciativa quebrando, isso é a consequência inevitável de décadas de manipulação monetária finalmente batendo à porta de quem vivia da ilusão de que dava para precificar risco num mundo onde o preço do dinheiro era falsificado pelo Estado.

E tem mais. A Marsh ganhou rios de dinheiro nos últimos anos vendendo consultoria de risco climático, ESG, conformidade regulatória, toda essa indústria parasitária que floresceu à sombra do compadrio entre grandes corporações e governos ávidos por enquadrar a economia em planilhas ideológicas. Era um negócio redondo. O Estado inventa a regra, a corretora vende o serviço de adequação à regra, e a conta vai para o consumidor final, que paga seguro mais caro sem entender por quê. Agora que essa farra começa a ranger, com investidores institucionais cansados de pagar caro por relatório de sustentabilidade que não rende um centavo, o castelo de cartas treme.

O que se vê é uma ação caindo. O que não se vê é uma indústria inteira de gestão de risco que esqueceu como precificar risco de verdade, porque passou a viver de risco fabricado em Bruxelas, em Washington e nos comitês de Davos. Quando o capital real, aquele que pertence a seres humanos com dinheiro próprio em jogo, começa a fugir desse tipo de papel, é porque está começando a perceber que comprou ar embrulhado em papel timbrado.

A queda da Marsh não é acidente de percurso, é o mercado tentando dizer, do jeito tímido que ainda lhe permitem, que a festa do dinheiro fácil acabou e a ressaca vai ser brutal. Risco não desaparece quando você o esconde numa planilha bonita, ele só fica acumulando juros até que alguém precise pagar.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.