A NOV, empresa que fornece equipamento pesado pra perfuração de petróleo e gás, cravou máxima de 52 semanas em US$ 21,90. Não é uma tech da moda, não é IA, não é hidrogênio verde, não é nada que apareça no pitch deck de fundo ESG com bandeirinha do arco-íris no cabeçalho. É uma companhia texana que vende broca, tubo e sonda pra quem tira óleo do chão. E está na máxima do ano justamente no momento em que uma parte considerável do planeta político jurou, de mão no coração e cheque no bolso alheio, que essa indústria seria enterrada até anteontem.

Olha, tem uma lição elementar aqui que os planejadores de sempre insistem em ignorar. Preço é informação. Quando uma ação como essa sobe, o mercado, que é o único agregador honesto de milhões de decisões independentes espalhadas pelo mundo, está gritando que a demanda por petróleo não só existe como se expande. Enquanto isso, um sujeito de gravata em Bruxelas rabisca planilha decidindo quanto o mundo deve consumir de energia em 2035, como se fosse possível a uma cabeça só, ou a um comitê de cabeças presunçosas, saber o que sete bilhões de pessoas precisam. Não sabe. Nunca soube. Nunca vai saber.

Siga o dinheiro e o teatro se dissolve. Enquanto governos ocidentais subsidiavam parque eólico da China, davam crédito subsidiado pra montadora elétrica que fabrica carro que ninguém compra pelo preço real e taxavam plataforma offshore como se fosse bordel medieval, os fundos sérios, aqueles que precisam entregar retorno pro aposentado que confiou a poupança, iam calmamente comprando ativos reais. Empresa de perfuração, oleoduto, refinaria, produtora integrada. Compraram enquanto a plateia aplaudia o discurso da transição. Compraram porque sabiam que a transição, do jeito que foi vendida, era ficção subvencionada.

Aquilo que se vê é a manchete: fundos verdes captando bilhões, ministro anunciando meta zero, presidente decretando fim do motor a combustão. Aquilo que não se vê é a Alemanha reabrindo mina de carvão pra não congelar no inverno, o Japão voltando à energia nuclear que jurou abandonar, a Índia dobrando importação de petróleo russo, os Estados Unidos batendo recorde de produção enquanto o próprio presidente posava de ambientalista. O mundo real segue rodando a diesel, e a NOV vende o equipamento que faz o mundo real rodar. Por isso a ação sobe. Não é milagre nem especulação. É gravidade econômica.

E note o padrão, que é sempre o mesmo. O Estado escolhe um setor pra matar, entope o outro de subsídio, distorce os preços relativos, e depois se assusta quando o mercado ajusta pelas beiradas. A energia é o caso mais eloquente porque afeta absolutamente tudo, do preço do pão à conta de luz da padaria que assa esse pão. Cada vez que um burocrata decreta que combustível fóssil está proibido no discurso mas continua indispensável na prática, ele cria uma escassez artificial, e a escassez artificial se transforma em lucro extraordinário pra quem manteve a cabeça fria e continuou fornecendo o produto. Os inimigos da NOV, sem querer, foram os melhores promotores da NOV.

Fica a moral, que é velha e mora no bolso: o mercado não liga pra virtude sinalizada em painel de conferência climática. Ele precifica escassez, demanda e capacidade de entrega. Enquanto houver caminhão, avião, navio, plástico, fertilizante, asfalto e aquecimento no inverno europeu, haverá petróleo, e enquanto houver petróleo, alguém precisa vender a broca que fura a rocha. A máxima da NOV não é uma notícia financeira. É um recibo, carimbado pela realidade, entregue na cara de quem passou a década prometendo o impossível com dinheiro que não era dele.

Com informações da Investing.com BR. A análise e opinião são do O Algoz.